Sexta-feira, 17 de abril de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 17 de abril de 2026
A pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deve abordar com cautela o fato de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ter aberto um inquérito contra o senador por suposta calúnia contra o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão do magistrado aconteceu na quarta-feira (15), após pedido da Polícia Federal (PF).
O objetivo é evitar desgaste com os ministros do STF, e adotar a mesma estratégia usada quando Flávio e aliados de seu pai, Jair Bolsonaro, dialogavam com Moraes pela concessão de prisão domiciliar para e ex-presidente. Na época, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro foi a principal voz pleiteando que a família diminuísse os desgastes com os membros da Corte.
Sempre ativo nas redes sociais, o pré-candidato fez somente uma publicação no X sobre o assunto, replicando uma fala que ele fez no plenário do Senado no mesmo dia da decisão. Em seu discurso, Flávio acusou Moraes de tentar desequilibrar as eleições deste ano por meio do inquérito das “fake news”, que ele conduz no STF. O parlamentar não mencionou o tema em outras plataformas.
“Já que agora Alexandre de Moraes não está mais no TSE [Tribunal Superior Eleitoral], ele vai querer desequilibrar as eleições lá do Supremo com esse inquérito, aberto há sete anos, esse malfadado inquérito das fake news, que atrai tudo o que ele quiser e quem ele quiser”, alegou o senador.
“Isso vai ser recorrentemente usado durante as eleições deste ano para tentar me impedir de expressar o meu ponto de vista e falar a verdade”, afirmou.
Em resposta ao filho de Jair Bolsonaro, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou que a Advocacia do Senado estaria disponível para ajudá-lo em qualquer questão jurídica, nclusive para ingressar no Judiciário com representação “para defender a legitimidade do voto popular e a prerrogativa do senador”. Procurado por meio da assessoria de imprensa do STF, Moraes não se manifestou sobre a declaração de Flávio.
Integrantes do PL próximos a Flávio apostam que a repercussão do fato nas redes sociais de aliados pode reforçar a insatisfação da sociedade com a Corte, sem Flávio ter que ser o principal porta-voz dessas críticas. Para eles, a ação de Moraes reforça o discurso bolsonarista de que há uma atuação conjunta de membros do STF e de indivíduos do governo federal.
Como exemplo disso, em discurso durante sessão do plenário do Senado, o líder da oposição na Casa, Rogério Marinho (PL-RN), utilizou a abertura de inquérito contra Flávio por Moraes para justificar a não aprovação do advogado-geral da União, Jorge Messias, à vaga aberta no STF.
Para o senador, Messias, que foi indicado por Lula, não deve “contribuir para melhorar as condições de credibilidade daquela instituição [STF] e a necessidade que a democracia tem de viger de uma forma soberana”. (Com informações do jornal Valor Econômico)