Sábado, 07 de março de 2026

Flávio Bolsonaro na frente

Se me dissessem que Flávio Bolsonaro seria o substituto do pai na candidatura a presidente, por causa da inelegibilidade, eu diria que se trata de uma péssima escolha. Ainda mais que o seu nome entra no jogo no exato momento em que Lula, na percepção geral, parecia estar em momento favorável.

O número I é um tanto insosso, inexpressivo, falta-lhe brilho e empatia, é um político do segundo time. O número II, Eduardo, é ousado, autoconfiante, diz bobagens, mas com o ar de quem sabe, trabalha bem o claro-escuro, a dissonância. Foi mal na pretensão bizarra de influenciar Trump para detonar Lula, mas não lhe faltou fibra e coragem. E Carlos, o III, ao que dizem, é um especialista nas redes sociais – fator cujo domínio é crucial na eleição presidencial.

Flávio fazia o modelo de um bolsonarista light, o que é uma contradição em termos. E por conseguinte, não conseguiria chegar nem perto da performance do pai.

Não faltaram críticas ao Bolsonaro, preso pela decisão imperial de ungir o filho como sucessor. Era para ser um erro, exatamente por causa das carências e das escassas qualificações do filho candidato.

Mas as pesquisas da semana evidenciam duas coisas. A primeira é que bolsonarismo continua sendo uma força expressiva, e que os crimes de Bolsonaro, a tentativa de golpe de Estado, mal afetaram o prestígio do personagem e do que ele representa. Bolsonaro, o bolsonarismo, saíram dos episódios, senão intactos, ainda com musculatura política para influenciar a decisão do eleitorado este ano, senão para saírem de novo vencedores.

E a segunda, é que Lula não esbanja tanta saúde política assim. Pois está no governo, dia sim outro também ele acena com novas benesses para o distinto público, se movimenta com desembaraço, o seu principal adversário está atrás das grades, mas ele rateia, não engrena para uma situação confortável na sucessão.

Assim, basta que se apresente um sobrenome certo, embora sem méritos próprios, algo desarticulado e, em semanas, alcança um patamar de igualdade e até ligeira vantagem nas pesquisas.

Ou seja, com isenção de imposto de renda até R$ 5 mil, gás do povo, palavra empenhada com o fim da jornada 6×1, proposta de transporte urbano gratuito para todos, e mais o que puder conter no saco de bondades, ainda assim Lula patina: sinal claro de um desgaste de material, de um cansaço das massas.

A imprensa deu há semanas que Lula, ligado no modo salto alto, em encontro com um interlocutor de Flávio Bolsonaro, pediu que transmitisse a ele um recado. O interlocutor perguntou do que se tratava. E Lula teria respondido: “que ele não desista”. Esse tipo de diálogo a gente nunca sabe se é verdadeiro. Mas se for, deve estar arrependido.

O PT trata de desabonar a enquete – a forma costumeira de como reagem todos os que ficam atrás nas pesquisas. Mas a verdade é que os novos números causaram surpresa e impacto no meio político. Podia-se esperar um crescimento de Flávio, mas não tão rápido nem tão expressivo.

Se as pesquisas seguintes apontarem a mesma tendência, então podemos ter certeza de que os próximos meses serão de grandes emoções.

* Tito Guarniere (titoguarniere@terra.com.br)

 

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