Terça-feira, 16 de junho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 15 de junho de 2026
O senador Flávio Bolsonaro (PL) fez elogios ao Bolsa Família, marca do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e prometeu promover mudanças de formato para garantir pagamentos a pessoas que estavam no programa e passaram a ter renda.
Em evento promovido pela revista Veja, nessa segunda-feira (15), em São Paulo (SP), ele também confirmou que Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal no governo de Jair Bolsonaro, fará parte de sua equipe de campanha, traçando estratégias para a área de responsabilidade social.
Flávio afirmou haver preconceito em relação aos beneficiários do Bolsa Família e disse que receber o benefício traz a ideia de segurança mesmo para aqueles que, depois do auxílio, obtêm outras fontes de renda.
As declarações do senador contrastam com discurso do próprio Flávio na época em que era deputado estadual pelo Rio de Janeiro. Em 2006, usou a ordem do dia da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) para dizer que o Bolsa Família era um “estímulo” para casais terem mais filhos.
“O Bolsa Família é isso: a pessoa recebe R$ 70 por mês por um filho e a cada filho além daquele, mais R$ 20 ou R$ 30, mesmo sabendo que não tem condições de criá-los, de dar-lhes um mínimo de educação, de saúde. Muitos pais irresponsáveis acabam sentindo-se estimulados a colocar cada vez mais filhos no mundo, por incentivo do próprio governo”, disse.
Nessa segunda, Flávio afirmou que “muita gente tem um preconceito em relação a quem está no Bolsa Família, como se (esse beneficiário) não quisesse trabalhar”.
“É um erro. Quase 70% das pessoas que recebem o Bolsa Família trabalham informalmente. Se não vão para a formalidade, é por quê? Aliás, essa é uma das críticas. É porque têm medo, têm medo de perder o benefício”, disse.
“A gente tem que entender que tem uma memória afetiva, até. O Bolsa Família é estabilidade para quem já passou fome. A pessoa pensa o seguinte: ‘olha, se eu arrumar um trabalho de carteira assinada e eu perder o Bolsa Família, e se eu perder o meu trabalho, como é que eu vou ficar? Vou voltar para aquela época em que eu passava fome de verdade’”, disse.
Ele continuou: “Então, a gente tem que entender essa lógica que passa na cabeça das pessoas que precisam disso, reafirmar mais uma vez para elas que isso vai ser mantido, e nós vamos potencializar essa garantia para estimular que as pessoas possam ter um emprego formal”.
O senador tratou o programa como um “direito adquirido” dos brasileiros e afirmou que “qualquer país do mundo tem um programa para pessoas de baixa renda que têm dificuldade alimentar”.
Embora Jair Bolsonaro tenha aumentado os valores dos benefícios pagos pelo Bolsa Família enquanto foi presidente, quando era deputado federal, fazia críticas ao projeto, que dizia que deveria ser temporário. “No Nordeste, você não consegue uma pessoa para trabalhar na sua casa. Porque, se trabalhar, ela perde o Bolsa Família”, afirmou Bolsonaro, na Recordnews, em 2012.
O tema do preconceito ao Bolsa Família voltou ao noticiário no fim do mês passado por causa de declarações do apresentador Luciano Huck, que criticou o programa durante palestra para empresários.
“Na verdade, elas (as pessoas beneficiadas) criam atalhos para conseguir ficar no programa de distribuição de renda, de proteção social, ad eternum (eternamente). A gente precisa criar um estímulo. Como é que você motiva a família que precisa, necessita do Bolsa Família, a ter vontade de querer sair desse programa?”, disse, na ocasião. A fala repercutiu negativamente e foi refutada por pesquisadores.
Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), presidenciáveis que disputam com Flávio o voto da centro-direita, também já defenderam a necessidade de manutenção de programas de transferência de renda, mas com ajustes no Bolsa Família.
Em janeiro, Caiado disse, em entrevista ao site Poder360, que o pagamento do benefício seja voltado à emancipação dos beneficiários, associado a ações de qualificação profissional. Zema, por sua vez, defende a transferência de renda aos mais pobres, mas em maio, à Band, disse que combateria fraudes porque, segundo ele, não iria “pagar auxílio para marmanjões”. “Nós estamos criando uma geração de imprestáveis”, disse.
Flávio também se disse favorável ao projeto petista de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, proposta que também foi feita, em 2018, pela campanha de seu pai. Contudo, ele criticou a forma como o governo Lula está implementando a proposta.
“A única diferença é que, com Bolsonaro, certamente você teria uma compensação de abrir mão dessa receita”, disse. (Com informações da Folha de S.Paulo)