Segunda-feira, 15 de julho de 2024

“Foram os dez minutos mais longos da minha vida”, diz mãe de brasileiro que foi ao espaço

Depois de noites mal dormidas e de dias de coração apertado, a corretora de imóveis de luxo Claudia Maria Correa deve ter consigo descansar. Ela é mãe do engenheiro de produção Victor Correa Hespanha, de 28 anos, que neste sábado (4) se tornou o primeiro turista espacial do país e o segundo brasileiro a ir ao espaço.

“Foram os dez minutos mais longos da minha vida. Estou muito orgulhosa, me sentindo muito honrada por meu filho ter ido para o espaço, muito feliz. É uma emoção indescritível. Confesso que fiquei com receio, mas eu sabia que ele estava entregue nas mãos de Deus e que tudo daria certo, e tudo deu certo. É o momento de respirar, celebrar, comemorar”, disse Claudia, que acompanhou a decolagem do filho pela TV.

A ansiedade agora dá lugar à expectativa pelo reencontro com Victor, que deve acontecer na próxima quarta-feira (8).

“Agora a ansiedade é para encontrar e dar aquele abraço de mãe, aquele aconchego, aquele colinho. Estou aguardando para um abraço e um cafezinho com pão de queijo bem gostoso”, conta.

A viagem

Victor Correa Hespanha decolou por volta das 10h25 (horário de Brasília) deste sábado e se tornou o primeiro turista espacial do país e o segundo brasileiro a ir ao espaço.

Ele participou de um voo da Blue Origin, empresa do bilionário Jeff Bezos, no Texas, nos Estados Unidos. Hespanha levou uma bandeira do Brasil e ocupou o assento número 2 da missão, que tinha outras cinco pessoas e durou cerca de dez minutos.

A jornada foi idêntica à que o próprio Bezos fez em julho passado. Desta vez, todos os seis tripulantes eram turistas espaciais – não havia um astronauta profissional a bordo, e a nave não precisa de piloto.

O voo foi do tipo suborbital, uma espécie de “bate-volta” (entenda qual é a diferença entre voo orbital e suborbital). Nessa modalidade, o foguete alcança uma altitude máxima – cerca de 100 km – e depois cai em queda livre de volta à Terra.

O grupo deveria ter decolado em 20 de maio, mas a viagem foi adiada por questões de segurança, após uma vistoria no foguete.

A jornada de Hespanha ocorreu em uma época marcada pela corrida espacial de bilionários que querem investir cada vez mais no turismo fora da Terra e também na internet via satélite. É o caso da própria Blue Origin, de Bezos, e da SpaceX, de Elon Musk.

Hespanha é engenheiro de produção e conseguiu seu lugar na nave depois de comprar um token não fungível (NFT) pela Crypto Space Agency (CSA) por R$ 4 mil. A CSA sorteou a viagem entre os compradores, e o mineiro levou.

Antes dele, o único brasileiro a ter ido ao espaço era o astronauta e ex-ministro Marcos Pontes, que em 2006 passou oito dias na Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês). Aquele era um voo orbital: Pontes decolou da base de Baikonur, no Cazaquistão, a bordo da nave russa Soyuz-TMA.

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