Segunda-feira, 02 de fevereiro de 2026

Fórum SETCERGS | FEDERASUL discutirá R$ 12 bilhões em concessões rodoviárias no RS


Lideranças empresariais e Governo do Estado se reúnem em Porto Alegre para debater propostas sobre os Blocos 1 e 2, etapa decisiva para o futuro da malha viária gaúcha.

O futuro das rodovias gaúchas volta ao centro das atenções nesta quarta-feira, 4 de fevereiro, com a realização do 2º Encontro do Fórum de Debates SETCERGS | FEDERASUL, na sede do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística (SETCERGS), em Porto Alegre. O evento reunirá lideranças empresariais, representantes de entidades e autoridades estaduais para discutir o modelo de concessões dos Blocos 1 e 2, que somam investimentos previstos de R$ 12 bilhões e incluem duplicações, terceiras faixas e pedágio free flow.

Continuidade de uma agenda estratégica

O encontro dá sequência à agenda iniciada em 21 de janeiro, quando ocorreu a primeira edição do Fórum. Na ocasião, especialistas e representantes do setor produtivo analisaram tecnicamente a modelagem apresentada pelo Governo do Estado. Agora, a segunda etapa avança para o campo propositivo: é o momento em que empresários e entidades apresentam sugestões concretas, colaborando diretamente para o aprimoramento da proposta.

A próxima reunião está marcada para 25 de fevereiro, também na sede do SETCERGS, quando o governo deverá indicar quais contribuições poderão ser incorporadas ao modelo final.

Escuta ativa e participação social

O presidente do SETCERGS, Delmar Albarello, destacou que as rodovias são estruturantes para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul e precisam ser discutidas com profundidade, dados e compromisso com a sociedade. “Não se trata apenas de infraestrutura, mas de competitividade e de futuro. O transporte rodoviário é vital para o escoamento da produção e para a integração das regiões”, afirmou.

Já o presidente da FEDERASUL, Rodrigo Sousa Costa, ressaltou que o Fórum é uma oportunidade concreta de alinhar interesses e construir soluções. “Estamos diante de uma chance histórica de contribuir para um modelo de concessões que seja justo, eficiente e capaz de atender às demandas do setor produtivo e da população”, disse.

Malha rodoviária e desafios

O Rio Grande do Sul possui mais de 150 mil quilômetros de rodovias federais, estaduais e municipais, sendo o modal rodoviário responsável pela maior parte do escoamento de cargas agrícolas e industriais. Gargalos históricos, falta de manutenção e investimentos insuficientes têm comprometido a competitividade e a segurança das estradas.

As concessões surgem como alternativa para garantir recursos e modernização, mas também levantam debates sobre tarifas, qualidade dos serviços e equilíbrio entre interesses públicos e privados. O Bloco 2, por exemplo, prevê R$ 6 bilhões em investimentos, com 182 km de duplicações e 71,5 km de terceiras faixas, além de aporte de R$ 1,5 bilhão do FUNRIGS para reconstrução resiliente. A consulta pública recebeu 390 contribuições, sendo 60% delas voltadas à redução tarifária.

Comparação nacional

Outros estados, como São Paulo e Paraná, já operam concessões com pedágio free flow, sistema sem cancelas que cobra automaticamente conforme o uso da rodovia. Embora inovador, o modelo enfrenta críticas sobre tarifas elevadas. O desafio do RS é equilibrar tecnologia e modicidade tarifária, garantindo que o custo não inviabilize a competitividade do setor produtivo.

O 2º Encontro do Fórum de Debates SETCERGS | FEDERASUL não é apenas uma reunião técnica: é um marco no esforço de aproximar governo, empresários e sociedade em torno de um tema que afeta diretamente a vida de milhões de gaúchos. A busca por um modelo de concessões equilibrado, transparente e eficiente é, ao mesmo tempo, um desafio e uma oportunidade.

Mais do que discutir contratos e tarifas, o Fórum coloca em pauta o futuro da mobilidade, da logística e da competitividade do Rio Grande do Sul. Se bem conduzido, o processo pode transformar gargalos históricos em soluções duradouras, garantindo que as rodovias cumpram seu papel de artérias vitais para o desenvolvimento do Estado. (por Gisele Flores – Gisele@pampa.com.br)

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