Sexta-feira, 09 de janeiro de 2026

França prepara plano para o caso de os Estados Unidos avançarem sobre a Groenlândia

A França está trabalhando com seus parceiros em um plano sobre como responder caso os Estados Unidos cumpram a ameaça de tomar a Groenlândia. A informação é do ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noel Barrot.

Uma tomada militar da Groenlândia pelos americanos, de um aliado de longa data, a Dinamarca, enviaria ondas de choque através da aliança militar ocidental da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e aprofundaria a divisão entre Trump e os líderes europeus.

“Queremos agir, mas queremos fazê-lo junto com nossos parceiros europeus”, disse Barrot à rádio France Inter.

Líderes de grandes potências europeias e do Canadá se uniram em apoio à Groenlândia nesta semana, dizendo que a ilha do Ártico pertence ao seu povo, após uma ameaça renovada de Trump de assumir o controle do território.

Nos últimos dias, Trump repetiu que deseja obter o controle da Groenlândia, uma ideia expressa pela primeira vez em 2019, durante seu primeiro mandato na Presidência dos EUA. Ele argumenta que a ilha é fundamental para a estratégia militar dos Estados Unidos e afirma que a Dinamarca não fez o suficiente para protegê-la.

A Casa Branca disse na terça-feira (6) que Trump estava discutindo opções para adquirir a Groenlândia, incluindo o uso potencial das Forças Armadas dos EUA, em um renascimento de sua ambição de controlar a ilha estratégica, apesar das objeções europeias.

Barrot sugeriu que uma operação militar americana havia sido descartada pelo principal diplomata de Washington.

“Eu mesmo estive ao telefone com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio… que confirmou que essa não foi a abordagem adotada… ele descartou a possibilidade de uma invasão (da Groenlândia)”, afirmou ele.

Uma operação militar dos EUA no fim de semana que capturou o ditador da Venezuela já havia reacendido as preocupações de que a Groenlândia poderia enfrentar um cenário semelhante.

O vice-chanceler austríaco, Andreas Babler, instou a União Europeia a elaborar um “catálogo” de medidas para dissuadir qualquer tentativa dos Estados Unidos de anexar a Groenlândia, incluindo a ameaça de sanções “severas” contra gigantes tecnológicos americanos e tarifas “punitivas” sobre determinados produtos agrícolas.

“Conselho”

Uma autoridade graduada dos EUA, falando sob condição de anonimato, disse que Trump e seus assessores estão discutindo diversas maneiras de adquirir a Groenlândia, incluindo uma compra. Groenlândia e Dinamarca afirmaram que a ilha não está à venda.

Nessa quinta-feira (8), o vice-presidente norte-americano, JD Vance, aconselhou a Europa a levar “a sério” Trump em relação à Groenlândia, depois que Washington levantou a possibilidade de comprar o território da Dinamarca e até mesmo de recorrer a uma ação militar para tomá-lo.

O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, e seu colega da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, solicitaram uma reunião urgente com Rubio para discutir a situação.

“Gostaríamos de acrescentar algumas nuances à conversa”, escreveu Rasmussen em uma publicação nas redes sociais. “A briga de gritos deve ser substituída por um diálogo mais sensato. Agora.”

Ponto estratégico

Mesmo sendo a maior ilha do mundo, mas com uma população de apenas 57 mil pessoas, a Groenlândia não é um membro independente da Otan, mas é coberta pela adesão da Dinamarca à aliança ocidental.

A ilha está estrategicamente localizada entre a Europa e a América do Norte, o que a tornou um local essencial para o sistema de defesa dos EUA contra mísseis balísticos durante décadas. Sua riqueza mineral também se alinha com a ambição de Washington de reduzir a dependência da China.

Trump tem dito repetidamente que embarcações russas e chinesas estão perseguindo as águas ao redor da Groenlândia, que a Dinamarca contesta.

“A imagem que está sendo pintada de navios russos e chineses bem dentro do fiorde de Nuuk e de investimentos chineses maciços sendo feitos não é correta”, declarou Rasmussen a repórteres na noite de terça-feira (6).

Dados de rastreamento de embarcações da MarineTraffic e da LSEG não mostram a presença de navios chineses ou russos perto do território. Com informações do Valor Econômico, IstoÉ e CNN Brasil.

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