Sábado, 15 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 14 de agosto de 2026
Após a Polícia Federal lançar uma nova fase da Operação Disclosure, em junho, que investiga o caso de fraude na Americanas, o CEO do Itaú, Milton Maluhy Filho, afirmou que os bancos tiveram perdas bilionárias com o caso.
Na ocasião, passaram por busca e apreensão José Rudge, diretor do Itaú BBA, e Gustavo Balassiano, ex-superintendente do Itaú. “A Americanas foi uma das maiores fraudes já vistas. Saindo da administração [da varejista], todos os demais são vítimas. O sistema financeiro teve perdas bilionárias no caso. Como pode ser conivente se perdeu dinheiro? É ilógico imaginar isso”, disse em entrevista coletiva sobre os resultados do banco no segundo trimestre, ao ser questionado sobre a operação da PF.
Ele ressaltou que, mesmo se forem consideradas as receitas que os bancos tiveram com as operações de risco sacado com a Americanas nos anos antes de a fraude ser descoberta, ainda assim eles tiveram prejuízos bilionários. “Se colocar na balança, essas receitas menos as perdas, é algo super negativo. E os bancos não tinham visibilidade. O que a empresa discutia com o sistema financeiro era se essas contas seriam classificadas como empréstimo bancário ou com fornecedores. Ninguém imaginava que eles estavam ocultando passivo”, disse.
Em junho, quando a nova operação da PF foi lançada, o Itaú já tinha dito que não é investigado, mas colabora com as autoridades. “O banco, que sofreu perdas bilionárias com o episódio, já comprovou a lisura de sua conduta e da atuação de seus funcionários por meio de documentos apresentados à Justiça. Os registros deixam claro, por exemplo, que o Itaú recusou pedidos da antiga gestão da Americanas para alterar cartas de circularização de balanços.”
Maluhy disse confiar que o avanço das investigações vai deixar claro quem são os responsáveis pela fraude na Americanas.
‘Olhar cauteloso’
Na entrevista coletiva, Maluhy destacou que o cenário macroeconômico — não apenas local, mas também global — faz com que o banco adote um “olhar mais cauteloso”. Segundo ele, além da guerra no Irã, que gera impactos inflacionários, a economia pujante dos Estados Unidos (EUA) dá sinais de que o Federal Reserve (Fed) poderá elevar a taxa de juros.
“A gente sempre tem um olhar cauteloso olhando para frente, não só pelo cenário local, mas especialmente pelo cenário global”, disse o CEO do Itaú. “A gente está vivendo uma guerra importante e que não termina, que afeta claramente os preços, então gera impactos inflacionários no mundo todo. E nos Estados Unidos a gente está vendo uma economia muito pujante, muito forte, dando sinais de que o Fed vai precisar aumentar os juros.”
Maluhy explicou que, diante desse cenário, é esperada uma “pressão em todo o mundo”, já que os investidores estão decidindo onde alocar seus recursos. “A gente vem de um processo de juros bastante restritivos no Brasil. A gente prefere um ambiente com juros muito mais baixos. Isso é muito mais saudável para a economia, para os bancos, para a inadimplência, para a atividade. E quanto mais incerteza à frente, o empresário fica cada vez mais inseguro”, afirmou.
O executivo explicou que, diante da desaceleração gradual da atividade econômica, o banco revisou sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 2,1% para 1,9% neste ano. “A gente vê espaço, sim, para uma inflação mais controlada, para uma atividade desacelerando e para mais um corte [de juros na próxima reunião do Copom]”, afirmou.
“Para frente ainda é muito incerto, vai depender de ‘n’ fatores, especialmente de como os Estados Unidos vão se comportar se os juros subirem. Então, isso é um cenário que requer cautela, porque juros muito altos por tempo prolongado geram, sem dúvida, uma pressão na atividade, no endividamento, não só das empresas, como das famílias”, afirmou. Com informações do Valor Econômico.