Quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

“Free fruits for kids”

Em muitos supermercados australianos (Coles, Aldi, Woolworths) encontramos cestas ou prateleiras com esta placa em cima.

Isto significa “frutas gratuitas para as crianças”. Geralmente é localizada na entrada do estabelecimento, logo depois da cancela principal.

Minha neta Georgia se dirige diretamente para o cesto das bananas. Sua fruta preferida! Poderia escolher uma maça, um pêssego, uma laranja…

A regra é beneficiar crianças com menos de 12 anos.

Do ponto de vista de estratégia de supermercado é uma atitude simpática e acolhedora.

É um sinal de boas vindas! O custo é desprezível. A criança alimentada permite uma tranquilidade maior para os pais fazerem as compras. Os infantes esquecem das bolachas, dos cookies e dos chocolates.

As frutas são excelentes fontes de fibras, vitaminas e minerais. São ricas em cálcio, magnésio, vitaminas C, K, e E.

São essenciais e contribuem para o fortalecimento do nosso sistema imunológico.

É um programa incentivado pelo governo por uma educação alimentar mais saudável. Mas a grande preocupação governamental é enfrentar o desperdício de alimentos. Em especial no setor hortifrutigranjeiro que representa mais de 50% de toda a cadeia alimentar.

O desaproveitamento custa a economia australiana aproximadamente 20 bilhões de dólares ao ano.

A preocupação é tão grande que, agora em 2026, serão introduzidos 3 programas de impacto:

“The Great Unwaste” para conscientização da população evitar o desperdício doméstico.

O “End Food Waste Austrália” que visa melhorar a produtividade e transformar os excedentes em novos produtos.

E o “National Food Waste Strategy” que oferece incentivos fiscais de até 1,2 milhão de dólares para organizações de resgate de alimentos para pessoas de insegurança alimentar.

A nível mundial o desperdício de alimentos é tão grande que atinge a 1,5 bilhão de toneladas anualmente, segundo o “Food Waste Index Report”. É um dado constrangedor e alarmante a respeito da nossa incapacidade de distribuir alimentos e saciar os famintos.

O “Free fruits” tem também como meta conscientizar as crianças desde pequenas sobre este grave problema.

Será que no Brasil esta prática daria certo?!

Sempre existe a esperança que uma grande rede de supermercados copie esta ideia. O custo financeiro seria muito pequeno, mas a abrangência social e educativa seria muito grande.

(Carlos Roberto Schwartsmann – médico e professor universitário)

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