Sábado, 25 de abril de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 24 de abril de 2026
Um funcionário do governo dos Estados Unidos que atuava no Brasil deixou o país após o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) adotar medidas de reciprocidade em relação a determinações do governo norte-americano.
Michael Myers trabalhava junto à Polícia Federal (PF) na troca de informações desde 2024, como parte de um acordo de cooperação entre os dois países. Ele deixou o País na quarta-feira (23), segundo fontes do governo dos EUA.
O princípio da reciprocidade estabelece que um Estado tende a tratar outro da mesma forma como é tratado por ele nas relações internacionais, evitando que apenas um lado se beneficie das regras. Esse mecanismo é utilizado em diferentes situações diplomáticas e administrativas quando há medidas consideradas equivalentes entre governos.
O fundamento foi adotado após o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos EUA divulgar que o governo Donald Trump ordenou que um delegado brasileiro que atuou no caso da prisão de Alexandre Ramagem (PL-RJ) deixasse o país.
A partir desse episódio, autoridades brasileiras decidiram adotar procedimento semelhante em relação a representantes norte-americanos que atuavam em cooperação institucional no Brasil. A medida foi conduzida no âmbito diplomático e também envolveu decisões administrativas relacionadas ao acesso a órgãos públicos.
Um segundo norte-americano também foi alvo de medidas. Ele teve o acesso à Polícia Federal suspenso, mas, ao menos por enquanto, não deixará o Brasil. Por isso, não teve a identidade divulgada.
A informação foi publicada pelo jornal “Valor Econômico”, e confirmada pelo diretor da PF, Andrei Rodrigues, à GloboNews. Segundo ele, as providências foram tomadas em resposta direta às medidas adotadas anteriormente pelos Estados Unidos.
“Um teve temporariamente o acesso cortado à PF por mim. Outro teve o visto cancelado e determinado seu retorno aos Estados Unidos pelo MRE”, explica Rodrigues.
A cooperação entre os dois países está mantida, e a PF espera que o episódio seja visto como algo isolado, e que a troca de informações volte a ser normalizada. A expectativa é de que os canais institucionais permaneçam ativos e que os trabalhos conjuntos sejam retomados dentro da normalidade.
A saída de Myers ocorreu após a retirada das credenciais do servidor para atuar em território brasileiro. Essas credenciais permitiam sua atuação dentro do modelo de cooperação firmado entre os dois países desde 2024.
Segundo o diretor da PF, Myers seria instado a deixar o país pelo MRE, mas retornou antes por decisão dele. Dessa forma, o retorno aos Estados Unidos ocorreu antes da formalização completa do procedimento previsto pelas autoridades brasileiras. (Com informações do portal de notícias g1)