Quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 21 de janeiro de 2026
A execução de garantias pela Mastercard mostrou que o grupo Master, de Daniel Vorcaro, tinha participação acionária no Banco de Brasília (BRB). A bandeira de cartões tomou a medida após o Will Bank, instituição controlada pelo Master, deixar de pagar nessa terça-feira (20) empresas do setor de pagamentos, incluindo a Mastercard. Com isso, a bandeira ficou com 33.684.706 ações do BRB, instituição controlada pelo governo do Distrito Federal. Isso equivale a 6,93% do capital total, ou cerca de R$ 230 milhões.
Em nota, a defesa de Vorcaro afirmou que “as garantias executadas pela Mastercard não eram do Banco Master nem do seu controlador, o que torna incorreta a interpretação apresentada.”
Antes de ser liquidado e já em meio a dificuldades, o Master vinha lidando com pedidos adicionais por parte da Mastercard. O receio da empresa era que numa eventual liquidação do banco, o pagamento de outras empresas de cartão de crédito e até de lojistas ficasse comprometido.
“A Mastercard informou, ainda, que a referida participação societária decorre da excussão de alienação fiduciária sobre ações ordinárias e preferenciais do BRB e que procederá à alienação dessas ações, não tendo como objetivo a alteração do controle acionário ou da estrutura administrativa da companhia”, disse o comunicado do Banco de Brasília.
Nesta quarta-feira (21), o Banco Central decretou a liquidação do Will Bank que desde novembro de 2025 estava sob o regime de administração temporária. Citou o “comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master.”
De acordo com dados do formulário de referência protocolados na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), fundos ligados ao Banco Master, como Master Corretora, Reag e WNT eram donos de participações acionárias no BRB.
Entre março e setembro de 2025, o BRB acertou a compra de 49% das ações ordinárias e 100% das preferenciais do Banco Master. A operação foi vetada pelo Banco Central, que identificou uma venda de cerca de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito fraudulentas do Master para o banco de Brasília.
A execução das garantias, medida que praticamente selou a liquidação do Will Bank, aconteceu quando este deixou de honrar operações realizadas por consumidores aos agentes da cadeia de pagamentos via cartões. A Mastercard também decidiu parar de aceitar transações com os cartões da instituição financeira.
A bandeira de cartões já disse não pretender permanecer como acionista do BRB.
Quando o Banco Master foi liquidado, em novembro do ano passado, o Will Bank foi poupado devido à possibilidade de ser vendido. O fundo Mubadala, que pertence ao fundo soberano dos Emirados Árabes, havia demonstrado interesse, mas as negociações não evoluíram.
O Will Bank é a sexta instituição financeira liquidada pelo Banco Central em decorrência das fraudes do Banco Master. Antes dele, o mesmo aconteceu com o Banco Master S/A, Banco Master de Investimento, Letsbank, Master S/A Corretora de Câmbio e a Reag, administradora de fundos. As informações são da Folha de S. Paulo.