Domingo, 16 de junho de 2024

Garrafas, cigarros e roupas: perícia em vestígios deixados por manifestantes extremistas em Brasília identifica o DNA de 176 pessoas

Três meses após os atos antidemocráticos de 8 de janeiro, a Polícia Federal concluiu a perícia em vestígios deixados pelos golpistas em garrafas, bitucas de cigarro, roupas e demais itens que ficaram para trás na invasão às sedes dos três Poderes em Brasília. A análise, feita por profissionais do Instituto Nacional de Criminalística (INC), identificou 176 perfis completos de DNA. Desses, apenas 47 coincidem com os dados genéticos dos 1.388 presos na ocasião. Outras 129 amostras são de pessoas ainda não identificadas nas investigações.

O trabalho dos peritos começou no dia seguinte aos atos antidemocráticos, nas dependências e redondezas dos três prédios públicos. Após o isolamento e a preservação dos locais, os policiais federais passaram a buscar pelas chamadas células epiteliais, espécie de revestimento de proteção do corpo, e até mesmo de gordura. Ao todo, mais de mil vestígios foram recolhidos em peças de roupas deixadas pelos vândalos, como bonés, camisas e meias, e em objetos onde houve contato e consequentemente transferência de tecidos, como canetas, óculos, pentes e bitucas de cigarros.

Também foram utilizadas como fontes de análise fluídos de saliva deixados em copos, garrafas e telefones celulares e ainda resíduos de impressão digital depositados em superfícies tocadas pelos homens e mulheres que participaram dos atos. Além de compilarem as informações no chamado Laudo de Perícia Criminal – Local de Crime, cerca de 50 agentes fotografaram e filmaram os lugares, inclusive com o auxílio de drones, e também mediram as dependências da Praça dos Três Poderes com equipamento de scanner 3D.

Todo o material recolhido foi apreendido, embalado, lacrado e encaminhado a setores do instituto de criminalística para exames laboratoriais complementares: Perícia em Genética Forense, Perícia Química e Perícia Documentoscópica. Diante das análises dos profissionais, foi possível extrair, dos quase mil vestígios biológicos coletados, 176 perfis considerados completos por serem geneticamente comparáveis e incontestes.

A partir desse material, foram feitas inserções das informações no Banco Nacional de Perfis Genéticos, interligado as bases estaduais, e comparações com o DNA dos 1.388 presos em flagrante pelos ataques golpistas. A coleta de saliva, digital e fotografia dessas pessoas foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da Polícia Federal.

Com o confronto, 47 perfis foram coincidentes com presos encaminhados a cadeias do Distrito Federal e compõem provas incontestáveis da presença deles nos locais examinados. No entanto, as 129 amostras restantes não deram “match” e ficarão armazenadas pelo menos até o fim das investigações.

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