Terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Gasolina pode cair até 2% na bomba, prevê economista

A queda no preço da gasolina nas refinarias, anunciada pela Petrobras nessa segunda-feira (26), deve se traduzir em um alívio entre 1% e 2% nos preços cobrados nas bombas dos postos de combustível ao longo dos próximos trinta dias, projetam analistas. A notícia da estatal, que surpreendeu alguns economistas que não viam margem para a redução, também levou a revisões nas estimativas de inflação para fevereiro.

Historicamente, o segundo mês do ano costuma registrar maior pressão sobre o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE, por conta dos reajustes das mensalidades escolares. Em fevereiro de 2025, o indicador subiu 1,31%, puxado pelo grupo Educação.

Pelas contas de André Braz, coordenador dos índices de preços do FGV IBRE (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), o valor médio da gasolina ao consumidor no país deve recuar de R$ 6,22 para R$ 6,08, uma queda aproximada de 2,2% nas bombas. Dado que a gasolina compromete em média 5% do orçamento doméstico, segundo o IBGE, o impacto esperado sobre a inflação de fevereiro é de uma redução de 0,11 ponto percentual.

“Vai amortizar um pouco o efeito das mensalidades escolares e beneficiar o IPCA de fevereiro, que já vem inflado. Uma coisa dá uma segurada na outra. Sem a ajuda da gasolina, fecharia ao redor de 0,56% a inflação em fevereiro. Com a queda da gasolina, o número pode recuar para 0,45%”, afirma Braz.

Projeção da inflação

A redução no preço do combustível surpreendeu as economistas Andréa Angelo e Lais Camargo, da Warren Investimentos, já que seus cálculos de defasagem da gasolina não indicavam espaço para tal diminuição pela estatal. Elas calculam, contudo, que haverá impacto positivo ao consumidor, que deve sentir uma redução de 1,54% na bomba ou R$ 0,09 centavos no preço por litro, em média.

Com a notícia, a Warren revisou a inflação no ano de 4,5% para 4,4% – o que significa encerrar o ano dentro do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos, ou seja, até 4,5%. Já no mês de fevereiro, a projeção das economistas saiu de uma alta de 0,53% para 0,45%.

Fábio Romão, economista sênior da Logos Economia, avalia que a queda no custo da gasolina reforça a expectativa de inflação dentro do teto da meta este ano – o centro da meta para o IPCA é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos, ou seja, até 4,5%. Após o anúncio, ele revisou sua previsão de inflação para este ano de 4,2% para 4,1%. Ele acredita que o impacto do reajuste deve ser de 0,13 ponto percentual, sendo concentrado no resultado de fevereiro, cuja projeção caiu de 0,60% para 0,47%.

“Vai ter um impacto importante em fevereiro, que é um mês que tem um aumento sazonal de educação e que normalmente fica maior que janeiro. Mas pode ser que, nesse ano, por conta desse reajuste de gasolina, esse diferencial não seja tão grande igual a outros anos”, projeta o economista.

Ele explica que a revisão na projeção do IPCA do ano também está relacionada principalmente com o reajuste da gasolina, mas que o índice também deve ser aliviado por uma expectativa de que a alimentação no domicílio siga controlada ao longo de 2026. O número desse grupo não deve ser tão baixo quanto o do ano passado, mas, segundo Romão, o cenário parece favorável, com boas safras no radar e um câmbio controlado. (As informações são da Folha de Pernambuco)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Economia

Brasil tem 4 milhões de afastamentos do trabalho em 2025, maior número em cinco anos
Preço da gasolina para distribuidoras cai 5,2%, queda de R$ 0,14 por litro
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play