Domingo, 01 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 1 de fevereiro de 2026
O mercado de trabalho brasileiro parece lidar com números que se contradizem. Num ano em que a taxa anual de desocupação atingiu a mínima histórica – ficou em 5,1% em dezembro de 2025, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) divulgados na sexta-feira –, o País assistiu a um aumento da despesa com seguro-desemprego.
Em 2025, o Brasil gastou R$ 52,035 bilhões com o seguro-desemprego, mostra um levantamento realizado por João Pedro Leme, analista da consultoria Tendências. Houve um crescimento real – já descontada a inflação – de 1,8% na comparação com 2024.
“Quando a taxa de desemprego diminui e o mercado de trabalho está mais dinâmico no Brasil, há mais pedidos de seguro-desemprego, resultando em um gasto maior (com o benefício)”, afirma Leme.
Chama a atenção que o crescimento da despesa com seguro-desemprego ocorre desde 2022, quando o mercado de trabalho melhorou após os impactos mais severos provocados pela pandemia de covid-19.
Em 2021, a taxa anual de desemprego foi de 14%, segundo dados da Pnad, apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2022, ela recuou para 9,6%. No ano passado, terminou em 5,1%.
Rotatividade
“Há uma tendência de crescimento nos últimos anos, o que é muito contraproducente, porque houve uma redução muito grande no desemprego no período”, afirma Daniel Duque, pesquisador associado do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). “Mas, como temos uma situação de alta rotatividade do emprego, há mais fluxo de entrada de pessoas e também muita gente saindo.”
Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) – que levam em conta o trabalho com carteira assinada – ajudam a dimensionar a elevada rotatividade do mercado de trabalho brasileiro.
No ano passado, o Brasil registrou quase 10,9 milhões de desligamentos sem justa causa (uma das condições para que o empregado tenha direito ao auxílio). Em 2025, o saldo de empregos formais criados foi positivo em 1.279.498 carteiras assinadas. O resultado decorreu de 26.599.777 admissões e 25.320.279 demissões.
De acordo com o pesquisador associado do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), Daniel Duque, a rotatividade no emprego – um dos fatores que explicam o aumento dos pedidos de seguro-desemprego – ocorre porque há facilidade em encontrar recolocação. “As pessoas estão encontrando oportunidades melhores muito rápido. De um lado, elas estão com menos medo do desemprego e, por outro lado, elas querem maximizar esse benefício”.
Salário mínimo
Há outros fatores. O valor do benefício não pode ser inferior ao salário mínimo. No atual governo Lula, a volta da política de ganho real do salário mínimo foi retomada – como parte da promessa de campanha.
Inicialmente, a regra de reajuste do salário mínimo tinha como base a correção pela inflação mais o PIB de dois anos antes. No fim de 2024, numa tentativa de enviar ao mercado sinalização de que o governo estava disposto a controlar o gasto, houve mudança na regra do mínimo – e o ganho real foi limitado ao crescimento máximo de 2,5%, seguindo os parâmetros do arcabouço fiscal.
“Houve a volta do aumento do salário mínimo com o crescimento positivo do PIB e uma inflação relativamente controlada, o que significa que vai haver um aumento real nesses gastos”, diz João Pedro Leme, analista da consultoria Tendências. (Com informações de O Estado de S. Paulo)