Sábado, 31 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 30 de janeiro de 2026
Mais uma gerente foi exonerada do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), segundo relato de um funcionário do órgão que pediu para não ser identificado. A servidora Ana Raquel Gomes da Silva, que atuava havia mais de 40 anos no instituto, foi retirada da Gerência de Sistematização de Conteúdos Informacionais (Gecoi).
A exoneração ocorre após a saída de quatro servidores de cargos de chefia na área de Contas Nacionais na semana passada. De acordo com a fonte, há suspeita de que a medida tenha caráter retaliatório, em razão de uma denúncia feita pela servidora no ano passado sobre o uso de publicações oficiais do IBGE com viés de propaganda política.
À época, servidores da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE) divulgaram uma carta crítica a comunicados da presidência do instituto, apontando tom político inadequado em publicações institucionais. Um dos exemplos citados foi o periódico Brasil em Números 2024, cujo prefácio traz um artigo assinado pela governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSDB). No texto, a governadora lista realizações de sua gestão estadual e elogia a iniciativa e a atual direção do IBGE.
Segundo o funcionário, a exoneração de Ana Raquel teria sido comunicada durante uma reunião realizada na unidade do IBGE na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro, onde funciona a Gecoi, área responsável pelas publicações do instituto. Ainda de acordo com o relato, na mesma reunião a direção anunciou a transferência do setor para uma unidade em Parada de Lucas, também no Rio.
José Daniel, coordenador do Centro de Documentação e Disseminação de Informações (CDDI) e assessor direto do presidente do IBGE, Marcio Pochmann, teria sido o responsável por informar a dispensa.
Em nota, o IBGE informou que Ana Raquel será substituída por José Márcio Batista Rangel, servidor recém-chegado ao órgão e atualmente lotado na Coordenação de Marketing (COMAR). Ele é tecnologista aprovado no Concurso Público Nacional Unificado (CPNU) e já atuava no serviço público desde 2008, com passagens pelo Arquivo Nacional e pelo Conselho Nacional de Arquivos.
“Nos próximos dias, será definido, de forma dialogada, o cronograma de transição até a nomeação do novo gerente”, afirmou o instituto.
O clima interno no IBGE é descrito como de tensão por servidores. Na semana passada, a pesquisadora Rebeca Palis foi afastada da coordenação das Contas Nacionais. Faltando pouco mais de um mês para a divulgação dos resultados do Produto Interno Bruto (PIB) de 2025, outros três servidores também deixaram cargos de chefia na área responsável pelos cálculos do indicador.
Entre eles estão Cristiano Martins, gerente de Bens e Serviços, que chegou a ser indicado como substituto de Rebeca Palis, mas pediu desligamento em solidariedade à coordenadora, além de Claudia Dionísio, gerente das Contas Nacionais Trimestrais, e Amanda Tavares, gerente substituta da área.
Apesar das exonerações, todos os servidores citados são concursados e continuam atuando no instituto e na área de Contas Nacionais, embora não ocupem mais funções de chefia. Ainda assim, funcionários avaliam que as mudanças podem impactar prazos de revisões e projetos em andamento e não descartam novas exonerações.