Terça-feira, 31 de março de 2026

GHC formaliza adesão ao Pacto Nacional contra o Feminicídio em ato com governo federal e estatais

Compromisso reforça políticas de proteção às mulheres, amplia parcerias e integra rede nacional de enfrentamento à violência de gênero.

O Grupo Hospitalar Conceição (GHC) deu um passo decisivo na luta contra a violência de gênero ao formalizar sua adesão ao Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, em ato realizado no Teatro da Unisinos, em Porto Alegre. O evento reuniu representantes do governo federal, empresas estatais, universidades, movimentos sociais e parlamentares, consolidando uma frente ampla de enfrentamento ao problema.

O diretor-presidente do GHC, Gilberto Barichello, destacou que a violência contra a mulher é um desafio estrutural e exige ação coletiva. “Sem políticas de Estado e sem articulação com a sociedade civil, não vamos enfrentar a violência contra as mulheres. É um problema que atravessa gerações e precisa de resposta integrada”, afirmou.

A adesão ao pacto estabelece diretrizes para promoção de ambientes de trabalho seguros, programas de formação e fortalecimento de redes de apoio. O compromisso também prevê a criação de protocolos internos e externos que garantam acolhimento qualificado às vítimas, além de ações educativas voltadas à construção de uma cultura de igualdade.

Parcerias estratégicas e educação como eixo central
Durante o ato, foram firmadas parcerias com o Observatório da Violência de Gênero da UFRGS, reforçando a importância da produção de dados e pesquisas para orientar políticas públicas. A educação foi apontada como eixo central para transformar mentalidades e prevenir a violência. “Não basta reagir aos casos, é preciso investir em formação e sensibilização para que a sociedade compreenda a gravidade do feminicídio e atue para erradicá-lo”, destacou Barichello.

Painel de especialistas e resgate histórico
O encontro foi encerrado com um painel de especialistas que trouxe reflexões sobre o histórico da violência de gênero no Brasil e os desafios atuais. Denise Dora, Carmen Hein de Campos e Lígia Mori Madeira ressaltaram que o feminicídio é a face mais extrema de um ciclo de violência que começa com agressões psicológicas e patrimoniais, avança para a violência física e culmina na morte. A necessidade de estratégias integradas, prevenção e engajamento coletivo foi apontada como condição para reduzir os índices.

Contexto e dados consolidados
O Brasil figura entre os países com maiores taxas de feminicídio da América Latina. No Rio Grande do Sul, os registros de violência contra a mulher vêm crescendo nos últimos anos, com aumento significativo dos casos de violência doméstica e sexual. A adesão do GHC ao pacto nacional se soma a iniciativas já em andamento, como a Rede de Assistência Humanizada às Mulheres em Situação de Violência (Re-Humam), que em dois anos realizou quase dois mil atendimentos.

A integração com o pacto amplia a capacidade de resposta institucional, conectando o GHC a uma rede nacional que envolve estatais, universidades e órgãos públicos. O objetivo é garantir que as mulheres tenham acesso rápido e articulado a saúde, assistência social, segurança e justiça, sem se perderem em percursos burocráticos.

Compromisso permanente
Ao formalizar sua adesão, o GHC reafirma que o enfrentamento ao feminicídio não pode ser episódico, mas sim parte de uma política permanente. A iniciativa fortalece a imagem da instituição como referência em acolhimento e proteção, ao mesmo tempo em que projeta sua atuação para além da esfera hospitalar, integrando-se a um movimento nacional.

Mais do que um ato simbólico, a assinatura do pacto representa a construção de uma rede de proteção que une Estado e sociedade civil em torno de um objetivo comum: salvar vidas e garantir direitos. Para o GHC, é também a reafirmação de que saúde e cidadania caminham juntas — e que enfrentar a violência contra a mulher é parte essencial da missão de cuidar. (por Gisele Flores)

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