Terça-feira, 05 de julho de 2022

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Gloria Pires comemora 40 anos de cinema e relembra sua trajetória

Previsto para chegar às telas em junho de 2022, o longa Desapega!, do cineasta sino-brasileiro Hsu Chien Hsin, já em sua reta final de filmagem, vai estrear em meio a uma efeméride singular na trajetória de Gloria Pires, protagonista da trama ao lado de Maisa: na data, ela celebra 40 anos de cinema.

Em maio de 1982, a Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes exibiu o trabalho que revelou a atriz que hoje está com 58 anos: Índia, a Filha do Sol, de Fábio Barreto. À época, ela já era conhecida na TV, onde começou aos 5 anos, em A Pequena Órfã, da Excelsior.

“Eu fiz uma novela nos anos 1980, com o Lauro Corona, chamada Direito de Amar. Eu já era mãe, tinha feito filme, tinha vários trabalhos na teledramaturgia. Mas lembro que, ali, foi a primeira vez em que pisei em um set de televisão e senti: ‘Agora eu estou conseguindo respirar’. No cinema, não sei se houve esse momento. Comecei em uma época em que esperávamos dias para ver a cena rodada de um filme, esperando as primeiras cópias. Havia um mistério”, diz Gloria, em um set na Barra da Tijuca que serve de lar para Rita, personagem de Desapega! — projeto em que atua também como produtora e em uma função inédita em sua carreira: a de opinar sobre o roteiro.

“Pela vivência que tenho, é importante colaborar com aquilo que se diz em uma história, como, onde e quando se fala. Respeito muito quem escreve. Meu cuidado é mais colaborar para a busca por mais impacto. Não sei se eu teria capacidade de escrever um filme do zero, mas é importante estar perto de quem me dirige”, comenta.

Imensa

No início do ano, Bruno Barreto falou que seu novo filme, Vovó Ninja, aventura familiar que tem Gloria no papel central, poderia perfeitamente trazer o nome da atriz entre os créditos de roteiristas. “Ela deu várias ideias nas leituras. É uma atriz imensa, uma das mais talentosas do mundo”, disse Bruno, depoimento no qual Hsu Chien assina embaixo. “Gloria é uma atriz que cria cenas, que propõe e ajuda a encontrar um tipo de humor realista”, diz o cineasta, que destaca a vasta experiência de sua estrela à frente das câmeras como um dos motores de sua invenção.

Dois anos depois da passagem de Índia, a Filha do Sol por Cannes, Gloria voltou com Memórias do Cárcere, que deu a Nelson Pereira dos Santos o prêmio da Federação de Internacional de Imprensa Cinematográfica (Fipresci), em 1984. Depois vieram Besame Mucho (1987) e Jorge, um Brasileiro (1989), lançado logo após o fenômeno que foi sua interpretação como Maria de Fátima na novela Vale Tudo (1988).

“Logo que comecei, tive Lucy Barreto ao meu lado, já no set de Índia. É uma produtora fabulosa, inteligente. Aliás, é muito bom ver mulheres assumindo novos postos na sociedade, ocupando espaços, em uma potente mudança cultural”, diz Gloria, que trabalhou com Lucy e a família Barreto em projetos cruciais para sua trajetória.

Ainda sob a direção de Fábio Barreto, ela representou o País na disputa pelo Oscar, com O Quatrilho, em 1996, e ainda viveu dona Lindu em Lula, o Filho do Brasil (2009). Depois, Gloria passeou por blockbusters que redefiniram as bilheterias da indústria audiovisual — como a franquia Se Eu Fosse Você, de Daniel Filho, considerada um pilar da neochanchada —, arrebatou o Festival de Brasília de 2009 com Proibido Fumar, de Anna Muylaert. Colheu elogios na Berlinale por Flores Raras (2013), e, há dois meses, levou o Kikito de melhor interpretação feminina de Gramado pelo policial A Suspeita.

“Sempre encontro no cinema algo de profundo, que o tempo do processo permite alcançar. Novela é a minha base, pois quem faz, com toda a agilidade que a TV exige, é capaz de fazer tudo. Mas o cinema traz algo diferente, uma convivência intensa, de 12 horas de trabalho por dia, em quatro semanas, o que oferece a chance de uma maior proximidade com a equipe e de um maior aprofundamento”, diz Gloria, vestida como um quimono de Rita que, em Desapega!, começa a enfrentar seu comportamento compulsivo em meio a uma síndrome de ninho vazio pela saída da filha, Duda, papel de Maisa.

“A questão aqui é trazer humor, com muito respeito, para um assunto sério: o desapego na busca por um equilíbrio. A ideia é ser inclusivo. É rir junto e jamais rir de. É importante ser consciente. Ter a consciência do outro.”

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