Quarta-feira, 10 de junho de 2026

Golpes ligados à Copa do Mundo crescem na internet

O clima de expectativa para a Copa do Mundo de 2026 também tem sido aproveitado por criminosos para aplicar golpes em consumidores.

Com o aumento da procura por ingressos, produtos temáticos, figurinhas e promoções ligadas ao torneio, cresceram as tentativas de fraude tanto no ambiente digital quanto em negociações presenciais.

De acordo com a Agência Brasil, o avanço da inteligência artificial e a popularização do Pix estão entre os fatores que contribuíram para tornar os golpes mais rápidos e sofisticados.

Golpes crescem

Os golpes associados ao futebol ganharam força nos últimos dois anos. Levantamento da NordVPN mostra que 34% dos brasileiros que utilizam internet afirmam ter tido contato com tentativas de fraude relacionadas ao tema em 2024 e 2025. No ciclo anterior da Copa do Mundo, esse percentual era de 19%.

O crescimento reflete uma mudança na forma como os criminosos atuam. Ferramentas de inteligência artificial passaram a facilitar a criação de páginas falsas, anúncios fraudulentos e mensagens cada vez mais convincentes.

Com isso, esquemas que antes exigiam dias de preparação agora podem ser colocados em prática em poucas horas.

I.A amplia alcance dos golpistas durante a Copa

A tecnologia permitiu uma evolução significativa das fraudes. Além da rapidez, os criminosos passaram a utilizar informações obtidas em vazamentos de dados para personalizar abordagens.

Dados como CPF, endereço eletrônico e histórico de compras ajudam a tornar as mensagens mais convincentes. Em muitos casos, as vítimas recebem ofertas aparentemente legítimas relacionadas a ingressos, produtos oficiais ou promoções vinculadas ao Mundial.

O resultado é um ambiente digital cada vez mais difícil de ser interpretado pelo consumidor, já que imagens, vídeos e documentos podem ser manipulados com facilidade.

Pix reduz tempo para reação

Outra mudança importante em relação à Copa de 2022 está nos meios de pagamento utilizados pelos golpistas. O Pix passou a ocupar posição central em muitas fraudes por causa da rapidez das transferências.

Como o dinheiro é enviado instantaneamente, as chances de bloqueio ou recuperação dos valores diminuem após a confirmação da operação.

Criminosos costumam explorar essa característica para pressionar consumidores a concluir pagamentos rapidamente.

Além disso, surgem com frequência empresas fictícias que alegam possuir vínculos com o evento ou ofertas exclusivas para torcedores.

Redes sociais lideram tentativas de golpe durante a Copa

As plataformas digitais continuam sendo a principal porta de entrada para as fraudes ligadas à Copa do Mundo. Segundo o levantamento, o Instagram aparece na liderança dos casos relatados, seguido por WhatsApp, Facebook e TikTok.

Entre os golpes mais comuns estão a venda de ingressos inexistentes, apostas irregulares e a comercialização de produtos falsificados.

Muitos criminosos também utilizam grupos de torcedores e colecionadores para conquistar credibilidade antes de aplicar os golpes.

Reclamações disparam no Procon

O aumento das fraudes também aparece nos registros de defesa do consumidor. Dados do Procon-SP mostram crescimento expressivo das reclamações relacionadas à Copa do Mundo nos últimos meses.

Entre março e maio de 2026 foram registradas 238 reclamações. O número saltou de 19 ocorrências em março para 63 em abril e chegou a 156 em maio.

Os principais problemas relatados envolvem atraso ou não entrega de produtos, ofertas não cumpridas e mercadorias diferentes das anunciadas.

Mercado de figurinhas da Copa do Mundo

O tradicional mercado de figurinhas e álbuns da Copa também se transformou em alvo de golpes. As reclamações relacionadas a esse segmento eram inexistentes em março, mas avançaram rapidamente nos meses seguintes.

A maioria das denúncias envolve anúncios enganosos, produtos falsificados e negociações realizadas em marketplaces ou grupos de mensagens.

A procura elevada por itens colecionáveis cria oportunidades para criminosos explorarem a urgência dos compradores e a dificuldade de verificar a autenticidade dos produtos.

Como evitar prejuízos?

Especialistas e órgãos de defesa do consumidor recomendam cautela antes de concluir qualquer compra relacionada à Copa do Mundo.

Entre as principais orientações estão: pesquisar a reputação do vendedor, verificar dados da empresa, desconfiar de preços muito abaixo da média e guardar comprovantes de pagamento e conversas realizadas durante a negociação.

Também é importante observar se o site oferece diferentes formas de pagamento e conferir a data de criação do domínio. Plataformas recém-criadas podem representar um sinal de alerta para possíveis fraudes.

A recomendação nesse período de Copa do Mundo é evitar decisões impulsivas motivadas por promoções relâmpago ou mensagens que tentam criar sensação de urgência.

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