Sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 15 de janeiro de 2026
O acúmulo de gordura no fígado, conhecido como esteatose hepática, tem se tornado cada vez mais comum no Brasil. A condição, quando não controlada, pode evoluir para quadros mais graves, como inflamações crônicas, fibrose e até cirrose. Especialistas apontam que o estilo de vida moderno, marcado pelo sedentarismo e pelo consumo elevado de alimentos ultraprocessados, está entre os principais fatores associados ao problema.
Estudos recentes indicam, no entanto, que a alimentação pode desempenhar papel fundamental tanto na prevenção quanto no controle da doença. Pesquisas apontam que alguns alimentos contribuem para a redução do acúmulo de gordura no fígado e para a melhora do funcionamento do órgão. Entre eles, dois tipos de peixes se destacam pelos benefícios comprovados à saúde hepática.
Efeito protetor
Levantamentos realizados por universidades da Austrália e da Itália analisaram mais de mil pessoas que seguiam padrões alimentares semelhantes aos da dieta mediterrânea, reconhecida pelo equilíbrio nutricional e pelo uso de alimentos naturais. Os resultados mostraram que indivíduos com consumo regular de peixes apresentavam menor quantidade de gordura no fígado e melhores indicadores metabólicos.
O principal fator associado a esses benefícios é a presença de gorduras consideradas saudáveis, especialmente o ômega-3. Esse tipo de gordura tem ação anti-inflamatória, contribui para a redução dos níveis de triglicerídeos e melhora a sensibilidade à insulina, ajudando a proteger as células do fígado contra danos.
Entre as espécies analisadas, duas se destacaram pelos resultados positivos: o salmão e a sardinha.
Salmão
O salmão é uma das principais fontes de ômega-3, especialmente dos ácidos graxos EPA e DHA, conhecidos por sua atuação na redução de inflamações e no metabolismo das gorduras. Esses compostos também auxiliam no controle do colesterol e na proteção do sistema cardiovascular, fatores importantes para pessoas com esteatose hepática.
Além disso, o salmão oferece proteínas de alta qualidade, vitaminas do complexo B e minerais como selênio e potássio. Para aproveitar seus benefícios, a recomendação é o consumo de duas a três vezes por semana, preferencialmente preparado grelhado, assado ou cozido, evitando frituras.
Sardinha
Mais acessível, a sardinha também apresenta alto valor nutricional. Rica em ômega-3 e cálcio, ela contribui para a redução da gordura no fígado e para o bom funcionamento do metabolismo. O peixe ainda é fonte de vitaminas D e B12, importantes para a regeneração celular e o fortalecimento do sistema imunológico.
Por ser um peixe de pequeno porte, a sardinha tende a acumular menos metais pesados, como o mercúrio, o que a torna uma opção segura para consumo frequente. Assim como o salmão, deve ser preparada de forma simples, sem excesso de óleo ou molhos gordurosos.
Mudança de hábitos
Embora a alimentação tenha papel central, especialistas ressaltam que o consumo de peixes deve estar associado a outras mudanças no estilo de vida. A prática regular de atividades físicas, a redução do consumo de açúcar e alimentos ultraprocessados e a moderação ou exclusão do álcool são medidas fundamentais para a saúde do fígado.
Cuidar da saúde intestinal também é parte desse processo. Um microbioma equilibrado contribui para a absorção adequada de nutrientes e para a redução da inflamação no organismo. Alimentos como iogurte natural, kefir e vegetais ricos em fibras auxiliam nesse equilíbrio.
A inclusão de peixes ricos em ômega-3, como salmão e sardinha, em uma dieta equilibrada e aliada a hábitos saudáveis, é apontada como uma estratégia eficaz para reduzir a gordura no fígado e melhorar a qualidade de vida a longo prazo.