Quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 18 de fevereiro de 2026
Os ataques dos evangélicos ao governo após o desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva provocaram preocupação no Palácio do Planalto, que tenta contornar a crise. A escola de samba ficou em último lugar e foi rebaixada do Grupo Especial do carnaval do Rio. Além de ser criticado, Lula ainda foi chamado por adversários de “pé-frio” nas redes sociais.
Pesquisas que chegaram ao Planalto indicam que evangélicos reagiram de forma negativa à apresentação da escola, no domingo (15), tentando vincular o PT e o governo com a sátira aos conservadores.
O mal-estar detectado nesses levantamentos e entrevistas dadas por políticos evangélicos desencadearam no governo uma operação para impedir que as críticas respinguem na indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Messias é evangélico e passou o carnaval em um retiro espiritual, em Brasília. Ainda assim, senadores da oposição contrários ao nome dele no STF buscam associá-lo ao desgaste, mesmo depois de a AGU ter dado orientações jurídicas para que ministros não participassem do desfile.
Alerta
Ao lado do titular da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, Messias foi um dos auxiliares do presidente que pediram a ele para conversar com a diretoria da escola, a fim de retirar a ala “Neoconservadores em Conserva” do desfile. Lula, porém, não quis intervir, sob o argumento de que se tratava de uma manifestação cultural artística.
Em nota, Messias disse reafirmar sua fé cristã “bem como o respeito ao povo evangélico, seu pleno respeito à liberdade religiosa, aos valores cristãos e, em especial, à defesa da família – base da sociedade e merecedora da proteção especial do Estado, conforme preconiza a Constituição Federal de 1988”.
O principal ponto de insatisfação dos evangélicos com o desfile que homenageou o presidente com o enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, foi justamente a ala “Neoconservadores em conserva”.
O livro que detalha o enredo explica que a fantasia traz elementos representando aqueles que levantam a bandeira do neoconservadorismo, como o agronegócio, os mais ricos, os defensores da ditadura militar e os grupos religiosos evangélicos.
A ala foi classificada como preconceituosa por opositores de Lula em um cenário no qual o presidente tenta fazer acenos ao segmento, de olho nas eleições de outubro. A última pesquisa Genial/Quaest, divulgada neste mês, mostrou que 61% dos evangélicos desaprovam a gestão Lula.
Em post publicado nas redes sociais, nessa quarta-feira (18), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, comemorou a queda da Acadêmicos de Niterói.
“Rebaixada! Quem ataca a família não merece aplauso”, escreveu ele. Em seguida, relacionou o episódio a Lula e à campanha eleitoral. “Dos projetos de Deus não se zomba! Lula é sempre uma ideia ruim, seja para governar o País, seja para um samba enredo. Nunca nos esqueçamos: família é algo sagrado. Depois dessa escola, o próximo rebaixamento vai ser do Lula e do PT”, provocou.
Desde a apresentação da Acadêmicos de Niterói, lideranças religiosas vieram a público criticar o governo, a quem acusam de ter dado aval ao desfile da escola. Ao mesmo tempo, aliados de Lula passaram a atuar para desvincular o Planalto da agremiação e classificaram a estratégia dos adversários como “tiro no pé”.
O presidente do PT, Edinho Silva, disse que tentar desgastar politicamente o governo por causa das escolhas de alegorias da Acadêmicos de Niterói “chega às raias do ridículo”.
“Lula sempre teve uma relação de muito respeito com a comunidade evangélica e os líderes das igrejas sempre tiveram no presidente um aliado na construção de políticas públicas para o fortalecimento das famílias brasileiras”, destacou Edinho.
Coordenador do grupo jurídico Prerrogativas, Marco Aurélio de Carvalho foi na mesma linha e observou que Lula tem compromissos “absolutamente inabaláveis” com os evangélicos.
“Nós não tivemos gestão sobre isso. O presidente Lula simplesmente não se meteu. Esse é o fato. E essa discussão é absolutamente artificial, inoportuna, inconveniente. Estão tentando manipular o enredo. Estão tentando fabricar fake news. É a nova mamadeira de piroca”, argumentou Marco Aurélio, que estava em um dos carros alegóricos. (Com informações de O Estado de S. Paulo)