Domingo, 21 de julho de 2024

Governo da Ucrânia vende bens para bancar seu Exército contra a Rússia

Testemunha de momentos cruciais da história recente do país, o Hotel Ucrânia está em leilão como parte de um esforço estatal para vender alguns bens de substância para ajudar a financiar as Forças Armadas e reforçar uma economia abalada por uma guerra exaustiva que esvaziou os cofres do país. O valor do lance inicial para o Hotel Ucrânia é de US$ 25 milhões.

O governo leiloará cerca de 20 empresas estatais, incluindo o Hotel Ucrânia, um vasto centro comercial em Kiev, e várias empresas químicas e de mineração.

O esforço de privatização tem dois objetivos: captar dinheiro para um orçamento de Estado que, este ano, apresenta um rombo de US$ 5 bilhões para gastos militares, e fortalecer a combalida economia da Ucrânia, atraindo investimentos que, esperam as autoridades, a tornarão mais autossuficiente ao longo do tempo.

“O orçamento está no vermelho”, disse Oleksii Sobolev, vice-ministro da Economia da Ucrânia. “Precisamos encontrar outras formas de obter dinheiro para manter a situação macroeconômica estável, para ajudar o Exército e para vencer esta guerra contra a Rússia.”

Ainda assim, a privatização só irá até certo ponto, e enfrenta desafios consideráveis para um país em guerra, com muitos cidadãos preocupados com a possibilidade de as vendas estarem sujeitas à corrupção generalizada da Ucrânia.

Garantias

Ievgen Baranov, diretor administrativo da Dragon Capital, empresa de investimentos sediada em Kiev, disse que a privatização só funcionaria se o governo “agir como um vendedor responsável, dando garantias e indenizações a potenciais compradores”.

Ciente de que os investidores podem ser afastados pelo conflito, o governo estabeleceu para si próprio um objetivo modesto de vender um mínimo de cerca de US$ 100 milhões em ativos este ano – uma soma quase insignificante em comparação com os pacotes multibilionários de ajuda militar enviados pelos países ocidentais aliados.

Autoridades e especialistas ucranianos reconhecem que, dados os riscos impostos pelo conflito, é provável que os ativos sejam vendidos a preços mais baixos do que seriam antes da guerra. Mas eles esperam que as privatizações ajudem a impulsionar a economia, criando mais empregos e receita fiscal, além de atraírem mais investimento. A situação é urgente, dizem.

Após o colapso da União Soviética, em 1991, a Ucrânia herdou muitas empresas estatais endividadas e mal administradas. Hoje, possui cerca de 3,1 mil empresas, com menos da metade em funcionamento e apenas 15% gerando lucros.

No ano passado, as cinco empresas menos lucrativas custaram ao Estado US$ 50 milhões. “Este nível de custo é inaceitável, especialmente em tempos de guerra”, disse Vitalii Koval, chefe do Fundo de Propriedade Estatal da Ucrânia, que gere empresas estatais.

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