Quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Governo do Estado promove inclusão por meio da terapia com cães da Polícia Penal

O sistema prisional gaúcho vem mostrando que sua atuação vai além da segurança e disciplina. Por meio da cinoterapia (terapia co cães), cães da Polícia Penal têm se tornado agentes de inclusão social, atuando em parcerias com as Apaes de Santa Maria e Canela. O projeto, inédito no Estado, promove sessões semanais de Terapia Facilitada por Cães (TFC) para crianças e adolescentes com transtorno do espectro autista (TEA) e deficiências intelectuais e múltiplas, estimulando o desenvolvimento emocional, social e motor.

O papel das Apaes e os benefícios da cinoterapia

As Apaes oferecem serviços gratuitos nas áreas de saúde, educação e assistência social, e agora contam com o apoio dos cães terapeutas para ampliar os estímulos sensoriais e afetivos. Segundo a psicóloga Thais Reis, da Apae de Canela, os resultados são evidentes: redução da ansiedade, melhora da comunicação, diminuição de medos e fortalecimento de vínculos. “É um momento em que a criança se sente aceita, respeitada e estimulada, criando experiências emocionais que geram benefícios permanentes”, explica.

Seleção e treinamento dos cães

A escolha dos animais é criteriosa. Ao chegarem aos canis, passam por testes de comportamento que identificam aptidões. Os mais impulsivos são treinados para operações de detecção e captura; já os dóceis e pacientes, geralmente Golden Retrievers e Border Collies, são direcionados para a cinoterapia. Durante os primeiros 30 dias, conhecidos como “janela social”, os cães convivem com crianças, idosos e outros animais, sendo expostos a diferentes estímulos para avaliar sua resposta.

Histórias que emocionam

Na 7ª Delegacia Penitenciária Regional, em Canela, o Golden Retriever Stark é o protagonista. Doado por um criadouro de Campo Bom, ele participa de atendimentos semanais com cerca de seis crianças, além de interagir com idosos em grupos de convivência e com alunos da Escola Municipal Rodolfo Schlieper. Já na 2ª DPR, em Santa Maria, atuam a veterana Galega, de sete anos, e o jovem Duti, Border Collie de sete meses em treinamento. Eles integram o projeto Cães com Amor, que acompanha grupos de crianças por cerca de um ano. Ao final, ocorre uma “formatura”, simbolizando a autonomia conquistada sem o auxílio dos cães.

A policial penal Maria Clailta, responsável pelo canil da 2ª Região, destaca que cada atividade é planejada com objetivos terapêuticos específicos. “O cão atua como motivador, impulsionando o desenvolvimento motor e a comunicação, além de reduzir o estresse e gerar acolhimento”, afirma.

O impacto é sentido pelas famílias. Bruna Rocha Oliveira dos Santos, mãe de João Antônio, aluno da Apae de Santa Maria, resume: “É um projeto lindo que contribui muito para o desenvolvimento das crianças, principalmente na parte sensorial. Só tenho a agradecer pela oportunidade e pela ajuda”.

Na 8ª DPR, em Santa Cruz do Sul, o Border Collie Ragnar também se tornou referência. Inicialmente sem perfil para o faro, foi treinado para absorver estímulos táteis e emocionais, tornando-se apto para a cinoterapia. Hoje, participa do projeto Uma História Boa para Cachorro, que já atendeu mais de 6 mil crianças em atividades lúdicas sobre valores familiares, enfrentamento ao racismo e ao bullying, prevenção ao uso de drogas e incentivo à educação.

Inclusão e cidadania

A cinoterapia com cães da Polícia Penal mostra que o sistema prisional pode ser também um agente de cidadania. Galega, Stark, Duti e Ragnar são exemplos de como a parceria entre instituições transforma vidas, especialmente de crianças que encontram nos cães terapeutas não apenas estímulo, mas também acolhimento e amizade.

Mais do que uma ação social, o projeto simboliza um Estado que busca ser “O Rio Grande diferente”, onde segurança pública e inclusão caminham juntas para construir uma sociedade mais humana e solidária. (Por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)

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