Sábado, 11 de abril de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 10 de abril de 2026
Além de um novo programa de renegociação de dívidas, o governo federal discute lançar novas linhas de crédito com juros abaixo dos praticados pelo mercado. Entre as ideias está oferecer condições de financiamento facilitadas para motoristas de aplicativo, taxistas e caminhoneiros trocarem seus veículos.
O foco está sendo direcionado para grupos em que o governo tem maior dificuldade de aprovação e nos quais se busca ter alguma penetração para melhorar os índices de popularidade do governo.
O plano está sendo construído a partir do Palácio do Planalto e ainda precisa ter o convencimento da equipe econômica, que segue tratando da frente de medidas de redução do endividamento e comprometimento de renda das famílias.
Na junção das iniciativas para renegociar as dívidas e e as novas ofertas de crédito, a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderia anunciar um pacote que ultrapasse os R$ 100 bilhões. Mas ainda há um processo de convencimento que a área política precisa percorrer e o estágio desse segundo grupo de medidas está menos avançado do que as ações contra o endividamento.
O problema do endividamento das famílias se transformou em uma das principais preocupações do governo nas últimas semanas e ao longo dos últimos dias as ideias para renegociação de débitos inadimplentes até um ano ou de troca de dívidas caras por baratas amadureceram e passam agora por processos de construção técnica de pontos como a capitalização do Fundo Garantidor de Operações (FGO). Um dos caminhos para driblar a restrição fiscal era usar o dinheiro esquecido nos bancos, mas havia dificuldades sobre como fazer isso sem passar pelo orçamento.
Outra ideia que avançou politicamente foi a de liberação do FGTS. Está se discutindo dois grupo de ações: a disponibilização de cerca de R$ 7 bilhões que a Caixa reteve a mais do dinheiro do Fundo relativo ás antecipações do saque aniversário. O outro, entre R$ 5 e R$ 10 bilhões, deve ser uma liberação para a quitação de dívidas de cartão de crédito e outros tipos de dívidas caras.
Está também avançada a ideia de um estímulo para renegociação de dívidas de empresas de menor porte e uma linha de crédito nova para empresas de médio porte, que demanda cerca de R$ 2 bilhões em capitalização do Fundo Garantidor de Investimentos (FGI), operado pelo BNDES.
Lula tornou público o tema do excesso de endividamento durante uma agenda em Anápolis (GO) no dia 25 e desde então tem cobrado medidas dos ministros. Só na última semana, o assunto foi discutido em duas reuniões entre o presidente e integrantes do primeiro escalão do governo. O diagnóstico é que o problema tem prejudicado a popularidade de Lula a seis meses da eleição.
Diante da situação, foi cogitada a hipótese de o governado apresentar o pacote já na próxima semana, mas, como o presidente embarcará para uma viagem à Europa na quarta-feira, e parte da equipe econômica estará em Washington para a reunião do FMI, o anúncio de medidas deve ficar para a segunda quinzena do mês.
Além de oferta de juros atrativos para motoristas de aplicativos, taxistas e caminhoneiros trocarem seus veículos, os articuladores da área política também querem programas de financiamento para a compra de equipamentos agrícolas e novas linhas de crédito do programa Minha Casa, Minha Vida.
Uma pessoa do governo comentou que há uma espécie de “desespero” na área política com a dificuldade de Lula retomar um saldo positivo entre aprovação e desaprovação. E é nesse contexto que se insere a corrida por medidas, inclusive as que não estavam originalmente previstas no pacote de endividamento e as que já estão sendo adotadas para mitigar os efeitos da guerra no irã.
Nesse sentido, nenhuma das iniciativas em gestação têm caráter estrutural e o governo termina em situação muito similar à que começou: discutindo o que fazer com o excesso de endividamento das famílias e mantendo impostos baixos para conter os preços dos combustíveis. (Com informações do jornal O Globo)