Segunda-feira, 25 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 25 de maio de 2026
A reunião do conselho de ministros CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) para discutir um aumento na mistura de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% deve ocorrer na primeira quinzena de junho, e uma decisão confirmando o avanço da mescla é esperada, afirmou o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Rosa, nesta segunda-feira (25).
Segundo ele, a discussão sobre o estabelecimento do E32 será uma mera formalidade porque o aumento da mistura de etanol na gasolina tem apoio de todos, em momento em que o governo brasileiro adota medidas para mitigar efeitos da alta do petróleo.
“Já está na pauta, o governo já anunciou a medida. Falta deliberar… é uma formalidade porque imagino que no CNPE não vai ter oposição”, afirmou Rosa a jornalistas durante evento da Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro).
“No caso do etanol, não há dúvida, porque até 32% não há problema algum para motorização”, disse. A possibilidade de um aumento da mistura já havia sido divulgada pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou ao final de abril que a mescla deveria aumentar.
Uma reunião anterior do CNPE chegou a ser marcada, mas teve de ser adiada devido à visita de Lula aos Estados Unidos, segundo Silveira. O centro-sul, principal região produtora de etanol do Brasil, poderá produzir um volume recorde de etanol neste ano, com usinas destinando mais cana para o biocombustível, em detrimento do açúcar, com as produtividades agrícolas mais elevadas e também com o crescimento da fabricação do etanol de milho.
O ministro de Desenvolvimento disse ainda que um aumento maior da mistura, para 35%, depende de estudos adicionais. Ele opinou que os impactos dos preços do petróleo estão contidos e que não há riscos de explosão das cotações domésticas, já que o Brasil anunciou planos de subvencionar os valores. Mas adiantou que, se necessário, outras medidas poderiam ser tomadas em relação a prazos e valores dos subsídios.
Carne
Rosa afirmou que o governo brasileiro tem “bom” diálogo com a China para uma revisão da cota de exportação de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina que limita os embarques do Brasil para o seu principal mercado. Ele disse que essa revisão da salvaguarda da China, que colocou uma tarifa de 55% para exportações extracota, poderia acontecer no próximo ano.
Falando sobre acordos comerciais, Rosa afirmou que o próximo será entre o Mercosul e o Canadá, e que 60% dos termos desse pacto já estão acertados. As negociações poderiam ser concluídas ainda em 2026, segundo ele.