Sábado, 18 de julho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 18 de julho de 2026
O CNDH (Conselho Nacional dos Direitos Humanos) anunciou ter acionado a ONU (Organização das Nações Unidas) e a FIFA formalmente para denunciar episódios de racismo, discriminação racial e discurso de ódio registrados durante a Copa do Mundo de 2026. De acordo com a pasta, foram analisadas mais de seis milhões de publicações, das quais cerca de 89 mil continham conteúdo abusivo, sendo 11% destes de caráter racial.
A representação foi encaminhada ao CCPR (Comitê de Direitos Humanos da ONU), à Relatoria Especial da ONU sobre Formas Contemporâneas de Racismo, ao Grupo de Trabalho da ONU sobre Empresas e Direitos Humanos e ao canal oficial de denúncias da FIFA.
Na manifestação encaminhada à ONU, o conselho sustenta que os três países sede — Estados Unidos, Canadá e México —, e os demais Estados possuem obrigações previstas em tratados internacionais de direitos humanos para prevenir, investigar e responsabilizar autores de manifestações de ódio ocorridas sob sua jurisdição. Sobre a FIFA, o documento solicita análise da atuação da organização a partir dos dos Princípios Orientadores das Nações Unidas sobre Empresas e Direitos Humanos.
Entre os episódios citados na representação estão manifestações consideradas racistas direcionadas a atletas durante a competição, incluindo declarações de autoridades públicas e ataques registrados em plataformas digitais.
Segundo o CNDH, o objetivo é solicitar que a ONU avalie os casos para reforçar a adoção de medidas de prevenção, investigação, responsabilização e reparação de violações de direitos humanos relacionadas ao torneio.
“Os dados reforçam a necessidade de os Estados adotarem medidas efetivas de prevenção, responsabilização e proteção das vítimas”, avalia a presidente da pasta, Ivana Leal.
O relator da instituição, Carlos Nicodemos, afirma que os casos ultrapassam o âmbito esportivo e demandam resposta coordenada dos organismos internacionais. “O futebol reflete dinâmicas sociais e os episódios registrados durante a Copa evidenciam a necessidade de fortalecer mecanismos de proteção aos direitos humanos”. As informações são do jornal O Globo.