Sexta-feira, 08 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 8 de maio de 2026
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mira cargos de segundo e terceiro escalão da administração federal para retaliar o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), por causa da reprovação na sabatina do Senado ao nome de Jorge Messias, nome indicado pelo petista, a uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF). Na avaliação de governistas, Alcolumbre teve papel crucial para que a indicação de Lula fosse reprovada, na semana passada, por 42 votos dos senadores.
A conclusão de que, segundo interlocutores do PT, o senador agiu como um “traidor” na sabatina de Messias fará com que o governo Lula retire o nome de indicados por Alcolumbre em empresas públicas como a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf) e no Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs).
A limpa de indicados de Alcolumbre ou de seu partido — o União Brasil —, porém, não deve abranger nomes do primeiro escalão do governo Lula. Entre os ministros com aval do presidente do Senado ou do União Brasil, é possível citar os titulares das Comunicações, Frederico Siqueira Filho, Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes e do Turismo, Gustavo Feliciano.
A alternativa por mirar cargos do segundo e terceiro escalão em vez de retaliar Alcolumbre por meio de demissões de ministros é explicada pelo fato de o presidente Lula ainda buscar a governabilidade. Esse foi o objetivo, inclusive, que levou o titular da Defesa, José Múcio, a se encontrar com Davi Alcolumbre, na quarta-feira (6).
Segundo pessoas próximas ao ministro, a reunião ocorreu para apaziguar a relação entre Lula e o presidente do Senado após a derrota de Jorge Messias e restabelecer um contato para as próximas votações. Considerado um dos ministros mais próximos de Messias, Múcio esteve ao lado dele tanto na chegada para a sabatina com os senadores quanto após a conclusão da sessão que rejeitou a indicação de Lula à Suprema Corte.
Duas semanas antes da votação no Senado que rejeitou Jorge Messias para o Supremo, Alcolumbre se queixou a Lula de estar sendo perseguido pela Polícia Federal (PF), que toca diferentes inquéritos relacionados a ele e aliados, e pediu ao presidente que o ajudasse a se blindar do que chamou de “injustiças”. A maior delas, na visão de Alcolumbre, seria a delação do executivo Daniel Vorcaro, que entregou a sua proposta para análise dos investigadores.
Na conversa, que ocorreu nos bastidores da posse do novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, responsável pela articulação política do governo, Alcolumbre disse que a delação de Vorcaro viria com “muitas mentiras e injustiças” sobre ele e apelou a Lula para que o ajudasse a ficar de fora. De acordo com o relato que fez a aliados, Lula respondeu que não tem como segurar delegado da PF, o Ministério Público Federal (MPF) e muito menos o Supremo. E alegou que o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, tem agido com responsabilidade para evitar injustiças, repetindo o termo usado pelo presidente do Senado.
Dias depois, quando Alcolumbre comandou a articulação que levou à derrota histórica do governo na votação do nome de Messias no plenário, o círculo próximo do presidente no Palácio do Planalto atribuiu o movimento a um revide, uma vez que o presidente do Senado estaria monitorando de perto não só os bastidores da delação de Vorcaro mas também de outras investigações que podem chegar a ele, como a dos desvios do INSS e a dos investimentos de R$ 400 milhões do fundo de pensão do Amapá em letras financeiras do Master. (Com informações dos jornais Correio Braziliense e O Globo)