Domingo, 01 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 31 de janeiro de 2026
Uma parte dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) viram como positiva a decisão do colega Dias Toffoli de retirar o sigilo dos registros dos depoimentos prestados sobre o caso Master. Uma ala da Corte avalia que o gesto do magistrado faz parte de um esforço para buscar esclarecer questionamentos que vêm sendo feitos sobre o andamento da apuração, da qual é relator.
A decisão de liberar os vídeos teve boa repercussão até mesmo entre ministros que vêm manifestando incômodo com decisões tomadas por Toffoli ao longo do caso Master. Na avaliação de um magistrado, foi um dia de “saldo positivo” para o colega.
Além disso, integrantes do Supremo avaliam que a nota emitida pelo gabinete de Toffoli na quinta-feira (29), com esclarecimentos sobre o caso, ajudou a posicionar o ministro, ao menos em parte, na narrativa dos fatos. O comunicado tratou de alguns pontos controversos e indicou que o relator não desconsidera a possibilidade de encaminhr a investigação, total ou parcialmente, para a primeira instância.
A expectativa é que a exposição dos vídeos ajude a mostrar como a investigação vem sendo conduzida no STF. As medidas tomadas por Toffoli também são vistas como uma forma de melhorar o clima no tribunal, que volta aos trabalhos oficialmente na próxima segunda-feira, com uma sessão solene.
Apesar das medidas de transparência sobre processo e retirada de sigilos, ainda persiste nos bastidores da Corte, entre uma ala de magistrados, a avaliação de que Toffoli ainda precisa explicar suas conexões com o Master.
A divulgação dos vídeos revelou detalhes sobre o que falaram naquele dia o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, o presidente afastado do BRB, Paulo Henrique Costa, e o diretor do Banco Central (BC), Ailton Aquino, que não é investigado e não foi submetido a acareação.
Em um dos vídeos fica claro que, frente a frente, Vorcaro e Costa apresentaram versões divergentes durante acareação sobre a origem das carteiras de crédito consideradas problemáticas adquiridas pela instituição pública controlada pelo governo do Distrito Federal a partir de 2025.
Vorcaro afirmou que o BRB tinha conhecimento de que parte dos créditos não havia sido originada pelo Master, mas por outra empresa, a Tirreno. Segundo ele, o modelo de negócios previa a compra de carteiras estruturadas por outros agentes. Costa negou essa versão. O ex-presidente do BRB afirmou que sempre entendeu que os ativos tinham origem no próprio Master e que só mais tarde surgiram dúvidas sobre a procedência das carteiras.
Já na nota, que primeiramente foi encaminhada a todos os gabinetes do STF, Toffoli explicou, em 11 tópicos detalhes sobra a tramitação do processo na Corte sob a sua relatoria. No texto, o ministro reconheceu a possibilidade de remeter o processo à primeira instância após o término das investigações. E destacou que assumiu o inquérito por “sorteio” e sem questionamento por parte da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Toffoli sublinhou na nota que atendeu aos pedidos da PF para prorrogar o inquérito por mais sessenta dias e rejeitou requerimentos das defesas para reconhecer nulidades no processo.
“Todos os pedidos de reconhecimento de nulidades formulados pelas defesas dos investigados, inclusive por violação de prerrogativa de foro, foram rejeitados, assim como foi indeferido um pedido de composição amigável entre as partes apresentado pela defesa de Daniel Vorcaro (dono do Banco Master)”, diz o texto.
Sobre o sigilo absoluto, o ministro justificou dizendo que é necessária “em razão das diligências ainda em andamento”. Diante da repercussão negativa da medida, o ministro também passou a divulgar algumas decisões tomadas ao longo do processo. (Com informações do jornal O Globo)