Sexta-feira, 02 de janeiro de 2026

Gramados sintéticos ganham espaço no futebol brasileiro e dividem opiniões

A presença dos gramados sintéticos no futebol brasileiro deixou de ser exceção e se tornou pauta recorrente no noticiário esportivo. Embora não haja unanimidade entre jogadores e dirigentes, a grama artificial está cada vez mais presente nos estádios e centros de treinamento. Em 2026, a Série A do Brasileirão terá seis clubes mandando suas partidas em campos sintéticos, número recorde.

Nos CTs, a realidade é semelhante: 22 dos 40 times da primeira e segunda divisão já possuem campos alternativos com grama artificial. Botafogo, Athletic, Ferroviária e Paysandu estão em fase de construção e devem se juntar ao grupo em breve. Entre os clubes da elite, apenas Inter e Vasco ainda não instalaram gramados artificiais em suas estruturas.

O Juventude inaugurou em Caxias do Sul o primeiro campo sintético de seu Centro de Formação de Atletas e Cidadãos (CFAC), certificado com o selo FIFA Quality Pro, o mais alto da entidade. O presidente Fábio Pizzamiglio destacou o avanço estrutural e o rigor orçamentário para oferecer tecnologia de ponta aos atletas.

O Santos também concluiu em 2025 a instalação de um campo sintético com certificação internacional, reforçando a preparação para jogos em pisos artificiais. Já o Cuiabá, na Série B, finalizou obras no CT Manoel Dresch, com gramado idêntico ao utilizado pelo Chelsea, da Inglaterra. O Botafogo-SP inaugurou recentemente o campo da Botafogo Academy, investimento de R$ 25 milhões, também com selo FIFA Quality Pro.

Segundo Sergio Schildt, presidente da empresa Recoma, especializada em infraestrutura esportiva, o gramado sintético é uma solução viável para diversos clubes, especialmente em regiões de clima adverso. Ele ressalta que a manutenção é dez vezes mais barata que a da grama natural e que os campos artificiais passam por mais de 30 testes técnicos antes da certificação.

Apesar dos avanços, na Europa há resistência. A Holanda proibiu jogos em gramados 100% artificiais após pressão de sindicatos de jogadores, que alegaram maior risco de lesões e problemas na rolagem da bola. As principais ligas da Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha, França e Portugal não utilizam campos totalmente sintéticos. Por outro lado, o Young Boys, da Suíça, manda seus jogos da Champions League em campo artificial, autorizado pela UEFA, que permite o uso em todas as fases, exceto na final.

Estudos ainda são limitados, mas pesquisas recentes apontam diferenças no desempenho físico. O fisioterapeuta esportivo Fabrício Rapello, especialista pela Sonafe Brasil, explica que em jogos realizados em gramados sintéticos, zagueiros, volantes e laterais percorrem maiores distâncias e realizam mais ações de corrida em alta velocidade. Atacantes também apresentam maior número de desacelerações intensas, o que exige planejamento físico específico para suportar a demanda.

Panorama atual

Clubes com campo sintético no CT: Atlético-MG, Bahia, Ceará, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Fortaleza, Grêmio, Juventude, Mirassol, Palmeiras, Red Bull Bragantino, Santos, São Paulo, Sport, Vitória, Athletico-PR, Avaí, Botafogo-SP, CRB, Coritiba e Cuiabá.

Em construção: Botafogo, Athletic, Ferroviária e Paysandu.

Sem campo sintético: Inter, Vasco, Amazonas, América-MG, Atlético-GO, Chapecoense, Criciúma, Goiás, Novorizontino, Operário, Remo, Vila Nova e Volta Redonda.

 

(Com informações do jornal O Estado de S.Paulo)

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