Sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 12 de fevereiro de 2026
Duas medidas distintas provocaram instabilidade nas comunicações russas na linha de frente da Guerra da Ucrânia nesta semana, afetando um setor considerado estratégico para as operações militares.
A primeira envolve a Starlink, empresa de internet via satélite controlada por Elon Musk. Após reclamações do governo ucraniano de que forças russas estariam utilizando terminais do sistema para equipar drones e ampliar a precisão de ataques, a SpaceX restringiu o acesso ao serviço na região.
Segundo a medida, apenas terminais registrados pelo governo da Ucrânia podem operar na área do conflito. Embora a Starlink não atue oficialmente na Rússia, equipamentos chegam ao país e à linha de frente por meio de terceiros, segundo relatos.
“O que está acontecendo aqui é um caos. Unidades perderam comunicação umas com as outras, e os provedores russos não são tão velozes e confiáveis”, afirmou Pavel, um soldado separatista pró-Rússia em Donetsk, que pediu para não ter o sobrenome divulgado.
Ainda não há avaliação oficial sobre o impacto da decisão, mas analistas militares observaram redução na intensidade de combates na região de Pokrovsk, no leste da Ucrânia, nos últimos dias. A mudança pode estar relacionada à reorganização das comunicações.
No passado, Musk já havia restringido o acesso da Starlink na Crimeia, anexada pela Rússia, alegando risco de escalada do conflito. O episódio reacendeu o debate sobre a dependência de forças militares de um provedor privado estrangeiro.
Paralelamente, o governo russo ampliou restrições a aplicativos de mensagens. Na terça-feira (10), autoridades anunciaram limitações ao Telegram, sob a justificativa de que a plataforma não coopera no combate a crimes online. Nesta quinta (12), medidas semelhantes atingiram o WhatsApp.
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que empresas como a Meta, controladora do WhatsApp, não colaboram adequadamente com as autoridades. Como alternativa, o governo promove o uso do aplicativo MAX, lançado em 2025 pela empresa russa VK, ligada à estatal Gazprom.
O fundador do Telegram, Pavel Durov, criticou as restrições e afirmou que a medida visa estimular o uso de plataformas sob controle estatal. A Meta também se manifestou contra as limitações.
Dados divulgados anteriormente indicavam que WhatsApp e Telegram estavam entre os aplicativos mais utilizados na Rússia. Ambos oferecem criptografia, recurso amplamente empregado por militares no conflito.
As restrições geraram críticas de blogueiros militares e parlamentares russos. Alguns relatos indicam que soldados têm recorrido ao uso de redes privadas virtuais (VPNs) para contornar bloqueios, embora o funcionamento dessas ferramentas seja instável em áreas de combate.