Segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Guerra, diplomacia ou revolta: o que vem a seguir no Irã

Após uma semana das maiores manifestações em todo o país em anos, as ruas do Irã voltaram a ficar silenciosas, subjugadas pela força. Um morador de Teerã comparou o clima na capital aos dias que antecedem o Nowruz, o Ano Novo iraniano, quando muitos deixam a cidade e as lojas fecham mais cedo.

Mas não há alegria festiva, apenas um silêncio sepulcral, disse ele. A vida continua sob a sombra de uma repressão mortal contra os manifestantes e sob o espectro de um possível novo confronto militar com os Estados Unidos.

A República Islâmica espera celebrar o 47º aniversário da revolução que a levou ao poder no próximo mês. Haverá multidões nas ruas e músicas revolucionárias em alto volume.

No entanto, o clima nos corredores do poder em Teerã provavelmente será bem menos festivo, já que o regime enfrenta a maior ameaça à sua sobrevivência até o momento.

Talvez o regime tenha conseguido esmagar a última onda de protestos usando seu manual de repressão já testado e aprovado. Mas as queixas fundamentais que motivam os protestos não desapareceram.

Manifestações

Os dias 15 e 16 de janeiro se revelaram como alguns dos mais cruciais da história recente do Irã.

Os protestos econômicos que começaram nos bazares de Teerã se transformaram repentinamente no que pode vir a ser a maior ameaça enfrentada pela República Islâmica desde a sua fundação, em 1979.

Grandes multidões tomaram as ruas em todo o país, gritando “Morte ao ditador”, pedindo a queda do regime e, em um desenvolvimento relativamente recente, alguns exigindo o retorno de Reza Pahlavi, o filho exilado do último Xá do Irã.

A escala da repressão que se seguiu indica que o regime iraniano, ferido pela guerra do verão passado com Israel e os EUA, e sem o apoio de seus aliados regionais, não estava disposto a fazer concessões.

O bloqueio da internet que isolou os iranianos do mundo, significa que a verdadeira dimensão da brutalidade ainda não foi totalmente compreendida.

Mais de 3 mil pessoas foram mortas desde o início da repressão do Irã à dissidência, segundo a agência de notícias HRANA (Agência de Notícias dos Ativistas dos Direitos Humanos), sediada nos EUA.

Ameaça dos EUA

Nas últimas semanas, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou repetidamente atacar o Irã caso o regime usasse violência contra manifestantes. Na quinta-feira, porém, Trump disse a repórteres que “fontes muito importantes do outro lado” o informaram que os assassinatos haviam cessado no Irã — sugerindo que não haveria uma ação militar imediata dos EUA.

Autoridades do Golfo também disseram à CNN que Catar, Omã, Arábia Saudita e Egito instaram os EUA a evitar ataques ao Irã, alertando para os riscos de segurança e econômicos que poderiam afetar tanto os EUA quanto a região em geral. Esses esforços diplomáticos parecem ter levado a uma desescalada.

Mas isso pode ser temporário. Analistas dizem que a ameaça de ataques americanos ou israelenses ao Irã ainda não acabou.

“Não houve solução para a verdadeira raiz das tensões”, disse Trita Parsi, vice-presidente executivo do Instituto Quincy para a Diligência Estatal Responsável, à CNN, acrescentando que as tensões entre Israel e o Irã nunca foram sobre os protestos.

Uma fonte disse à CNN na quinta-feira que os militares dos EUA estão deslocando um grupo de ataque de porta-aviões para o Oriente Médio. A previsão é de que chegue ao Golfo Pérsico no final da próxima semana.

Mas, por enquanto, a conversa sobre negociações é mais forte do que os tambores da guerra. Falando na Flórida na quinta-feira, o enviado de Trump, Steve Witkoff, que esteve em contato direto com o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, na última semana, também adotou um tom conciliatório.

Diplomacia

Mesmo que Teerã e Washington tentem retomar as negociações, o Irã o fará a partir de sua posição mais frágil até o momento. Comparado com as rodadas anteriores de negociações, o equilíbrio de poder mudou drasticamente.

As principais instalações nucleares do Irã foram gravemente danificadas por ataques dos EUA no verão passado, comprometendo partes essenciais de seu programa, e a maioria dos grupos armados que o país utilizava para projetar poder foram efetivamente neutralizados por Israel.

Embora o Irã ainda possua um estoque considerável de urânio altamente enriquecido – um componente fundamental para uma bomba nuclear – o golpe, tanto físico quanto simbólico, é significativo.

“Os iranianos, de muitas maneiras, perderam uma enorme vantagem”, disse Parsi, prevendo que “Trump adotará uma posição muito maximalista” caso as negociações sejam retomadas.

Além da questão nuclear, qualquer retomada das negociações provavelmente abrangerá uma gama mais ampla de assuntos. Os EUA estariam interessados ​​em restringir o programa de mísseis do Irã e seu apoio a grupos armados como o Hamas, o Hezbollah, bem como milícias xiitas em toda a região. As informações são da CNN Brasil

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