Terça-feira, 03 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 2 de março de 2026
A guerra do Irã não gera grandes riscos de desabastecimento de combustíveis no país, mas joga pressão sobre a Petrobras diante da escalada das cotações internacionais do petróleo no primeiro dia útil após o início do conflito.
A estatal já vinha operando desde meados de 2025 com elevadas defasagens no preço do diesel e poderá ter que anunciar reajustes caso as cotações internacionais permaneçam no patamar atual por mais tempo, segundo especialistas.
Na abertura do mercado dessa segunda-feira (2), o preço do combustíveis nas refinarias da estatal estava R$ 0,73 por litro abaixo da paridade de importação calculada pela Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis).
É a maior defasagem desde janeiro de 2025, quando a companhia promoveu o último aumento no preço do diesel vendido por suas refinarias. Na época, a defasagem superou R$ 0,80 por litro. O reajuste, concedido no dia 31 de janeiro, foi de R$ 0,22 por litro.
A Petrobras costuma esperar o estabelecimento de novos patamares de preços internacionais antes de decidir por reajustes, principalmente em momentos de grande volatilidade.
Analistas brasileiros e internacionais dizem que o impacto sobre os preços vai depender da duração e da intensidade do conflito, principalmente em relação a eventual fechamento do Estreito de Ormuz por um prazo mais longo.
Por lá, passa cerca de um quinto da produção mundial de petróleo. O destino da maior parte desse volume são grandes consumidores asiáticos, como China e Índia.
O sócio da Leggio Consultoria, Marcus D’Elia, diz que, por enquanto, espera-se muita volatilidade nas cotações internacionais, mas o preço do barril deve ser contido pela sobra de óleo no mundo, resultado do crescimento baixo da demanda menor que o da oferta.
Na sua opinião, um conflito de até dez dias manteria o barril entre US$ 80 e US$ 100, mas de forma temporária, já que os principais clientes do Oriente Médio têm estoques suficientes para substituir 100 a 200 dias de importação.
“Se a interrupção do estreito se prolongar por até 40 dias, outras regiões, como EUA e União Europeia poderiam consumir seus estoques também, reduzindo a pressão de demanda e, com isso, contendo a alta de preços.”
Exportador de petróleo, o Brasil não depende do Estreito de Ormuz para garantir o abastecimento de combustíveis. O país depende de diesel importado, mas a maior parte vem dos Estados Unidos e da Rússia, diz o presidente da Abicom, Sérgio Araújo.
“Não vejo nenhum risco para o suprimento”, afirma ele. “Há uma pressão maior sobre a Petrobras porque as defasagens estão muito elevadas.” (Com informações da Folha de S.Paulo)