Sábado, 22 de junho de 2024

Guerra Israel-Hamas: “Não acredito que estou viva”, desabafa brasileira de 18 anos vinda de Gaza

Após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recepcionar o grupo de 32 brasileiros e familiares resgatados da Faixa de Gaza, alguns dos repatriados falaram sobre a situação de incerteza e brutalidade da guerra.

Ao lado de Lula, Shahed al-Banna, uma jovem de 18 anos, que morou na Faixa de Gaza apenas por um ano e meio, falou sobre a morte de parentes e amigos. Ela contou que foi a Gaza para que sua mãe, acometida pelo câncer, pudesse se despedir da família.

“Não acredito que estou viva, que estou aqui. Achei que fosse morrer”, disse a jovem.

Ela agradeceu à missão brasileira que resgatou os brasileiros, e pediu ajuda para que outros familiares possam sair de Gaza.

“A gente ainda está preocupado ainda com os familiares de Gaza. Já perdi muitos familiares, muitas amigas nessa guerra. Perdi minha casa, foi destruída. Quero muito ajudar a tirar nossos familiares de lá.”

Lula, então, prometeu empreender esforços para tirar mais brasileiros do local. Ele esteve ao lado da primeira-dama, Janja da Silva, e dos ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Paulo Pimenta (Secretaria de Comunicação) Márcio Macedo (Secretaria-Geral) e Flávio Dino (Justiça e Segurança Pública).

“Primeiro, (quero dizer que tenho) um compromisso com você e com sua família, da diplomacia, para tirar todos os brasileiros de lá.”

O palestino com cidadania brasileira Hasan Rabee, 30 anos, também falou ao lado do presidente Lula e agradeceu o apoio prestado para repatriar o grupo da Caixa de Gaza

“Queria agradecer ao presidente, governo federal, Força Aérea, Itamaraty. Todos vocês, por essa força apoio. Ficamos lá por 37 dias de muito sofrimento, às vezes até passamos fome e sede.”

Rabee afirmou que ele e sua mulher chegaram a mentir sobre o barulho das bombas aos seus filhos para que eles ficassem mais tranquilos

“O que está acontecendo lá na verdade é um massacre. Difícil para todos vocês entenderem o que passa lá. As bombas caindo por todo lado. Na primeira e segunda semana começamos a mentir, mas não conseguimos segurar essa mentira por muito tempo”, contou o palestino.

Esperança

Durante entrevista ao programa Encontro com Patrícia Poeta, da TV Globo, al-Banna voltou a agradecer o apoio e a preocupação manifestados por eles durante os mais de 30 dias que permaneceram na Faixa de Gaza, em meio aos bombardeios.

“Graças à vocês, graças as pessoas que estavam preocupadas com a gente, não perdemos a esperança”, afirmou.

Apesar da felicidade em estar longe do conflito e em segurança, a jovem lembrou daqueles que continuaram ou não puderam sair do enclave palestino e abordou o medo trazido pela perda dos entes queridos. No grupo do Brasil, dois escolheram permanecer em Gaza.

“Nosso maior medo é perder quem a gente ama. Já perdemos muitos familiares, mas temos medo de ficar sozinho no final, nosso maior medo é perder todo mundo”, observou.

O grupo que aterrissou no Brasil era composto por 32 pessoas. Desses, 17 eram menores. Segundo a ONU, em média, uma criança é morta e duas são feridas a cada dez minutos desde o início da guerra, no dia 7 de outubro. Questionada sobre como a crianças lidavam com o conflito, al-Banna respondeu que para eles “era como se fosse um jogo”:

“Eles não entendem muito bem a realidade”.

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