Terça-feira, 18 de junho de 2024

Guerra no Oriente Médio: Catar tenta mediar troca de reféns entre Hamas e Israel e a comunidade internacional se manifesta

Em meio ao conflito aberto entre Israel e o grupo extremista Hamas, que já deixou mais de 1.200 mortos desde o ataque terrorista do último sábado (7), membros da comunidade internacional estão mobilizados em diferentes frentes na tentativa de evitar uma escalada de hostilidades ainda maior no Oriente Médio. Nessa segunda-feira (9), representantes do governo do Catar, um dos principais financiadores do enclave palestino, iniciaram uma tentativa de mediação de troca de prisioneiros entre os inimigos, algo que nenhum dos lados parece inclinado a aceitar.

De acordo com fontes ouvidas em anonimato por agências estrangeiras, representantes do governo do Catar instaram os militantes palestinos a liberar crianças e mulheres que foram retiradas à força de Israel. Segundo detalhou a Reuters, as mulheres e crianças tomadas como reféns no sábado seriam trocadas por 36 mulheres e crianças palestinas detidas em Israel. Uma fonte citada pela agência chinesa Xinhua confirmou o plano, no domingo, e disse que a negociação conta com apoio dos EUA.

“Estamos em contato constante com todos os lados neste momento. Nossas prioridades são acabar com o derramamento de sangue, libertar os prisioneiros e garantir que o conflito seja contido sem repercussões regionais”, disse à agência o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Majed Al-Ansari, sem dar mais detalhes.

As chances de um acordo no momento, contudo, parecem nulas. Uma fonte do governo israelense, ouvida pela Jewish News Syndicate, negou qualquer intenção do país em negociar uma troca de prisioneiros ou manter qualquer janela de diálogo com os extremistas. Um representante político do Hamas, Hossam Badran, também disse não ter interesse no acordo.

“A operação militar continua (…), portanto não há atualmente nenhuma possibilidade de negociação sobre a questão dos prisioneiros ou qualquer outra coisa”, disse à AFP.

Oficialmente, os Estados Unidos declararam apoio total ao direito de Israel de se defender da agressão do grupo extremista. O presidente americano, Joe Biden, prometeu ajuda militar aos aliados históricos, incluindo o envio de um porta-aviões para a região.

Por sua vez, os Emirados Árabes divulgaram um comunicado denunciando explicitamente os ataques do Hamas em Israel. O Ministério das Relações Exteriores disse que os ataques “constituem uma escalada séria e grave” e disse estar “consternado com relatos de que civis israelenses foram sequestrados como reféns de suas casas”.

Em contraste, a Arábia Saudita, a nação muçulmana sunita mais poderosa da região, não criticou explicitamente o Hamas ou os ataques, e divulgou um comunicado no sábado culpando a política de Israel em relação aos palestinianos.

Embora as autoridades americanas não tenham mencionado diretamente uma participação ou endosso à negociação sobre troca de prisioneiros, uma movimentação diplomática intensa acontece desde o sábado. O secretário de Estado americano, Antony Blinken, manteve contatos com autoridades de Turquia, Egito, Emirados Árabes e outra série de países da região para exigir uma condenação do uso de violência pelo Hamas e pedir que trabalhem pela contenção dos ataques.

O Catar é um dos maiores financiadores internacionais do grupo extremista Hamas, contribuindo com milhões de dólares para o movimento e outras agências palestinas desde 2014. Oficialmente, Doha afirma que o financiamento a esse tipo de grupo tem por objetivo manter uma janela de diálogo aberta, impedindo que se radicalizem ainda mais.

Contudo, os pagamentos nem sempre são debitados no momento certo. De acordo com o próprio Hamas, segundo informações divulgadas em julho, atrasos nos repasses impediu o pagamento de cerca de 50 mil funcionários públicos na Faixa de Gaza, o que aumentou a insatisfação popular com a liderança do grupo extremista.

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