Terça-feira, 18 de junho de 2024

Há espaço para uma queda da taxa básica de juros a partir de agosto

O diretor de investimentos do Credit Suisse no Brasil, Luciano Paiva, diz acreditar que há espaço para uma queda da taxa básica de juros a partir de agosto. Oficialmente, o banco projeta que a Selic deve ficar estável em 13,75% ao longo de todo este ano.

“A combinação de juros parando de subir lá fora, taxa de câmbio estabilizada perto do R$ 5, e expectativa de inflação doméstica reagindo bem ao novo arcabouço fiscal abre espaço para cortes de juros em agosto, setembro”, diz Paiva.

Na avaliação dele, é provável que a Selic caminhe para um nível próximo a 10%, levando em conta o juro real de equilíbrio do País e a inflação “num lugar em que parece razoável”. Paiva também aponta uma “dissonância nas informações” com base nos dados oficiais da economia brasileira – que surpreenderam positivamente neste início de ano – e a percepção dos empresários.

1- Qual é a avaliação do último comunicado do Copom?

O comunicado foi duro no sentido de ainda manter textualmente que, se ele (Banco Central) precisar, pode subir os juros de novo. Era uma dúvida que a gente tinha, se iria suprimir isso ou se manteria. É verdade que o BC colocou que é um cenário pouco provável. Por outro lado, houve um gesto de entender que o arcabouço fiscal pode ajudar a ancorar as expectativas de inflação. O Copom fala que a reoneração de combustíveis, em conjunto com o arcabouço, pode ajudar a ter uma perspectiva de dívida/PIB para frente mais estável. É uma combinação que, eventualmente, traz as expectativas de inflação um pouco mais para baixo. Se isso acontecer, tem espaço para corte de juros, principalmente, se a taxa de câmbio continuar nos arredores de onde está hoje. A maior parte das expectativas de inflação foi desenhada com uma taxa de câmbio um pouquinho mais alta.

2 – E como avaliou a decisão do Fed?

Fez aquilo que era esperado dele. O Fed não pode avisar que não vai mais subir os juros, tem muita coisa acontecendo lá fora. Mas parece que está, de fato, querendo interromper (o ciclo de aperto) com a alta de quarta-feira, sobretudo se os números de inflação não surpreenderem muito para cima olhando para frente. Tem um fator que ajuda muito nos Estados Unidos. Apesar de todo o susto, com a taxa de inflação batendo a máxima em 40 anos, as expectativas para dois, três, cinco anos adiante sempre continuaram bem ancoradas nos EUA. Nunca houve um descolamento muito grande em relação ao que é a meta do Fed.

3 – Qual é o impacto dessa possível interrupção?

Ajuda a ter uma referência global de juros mais bem comportados, estabilizados. E, para o nosso Banco Central, a combinação de juros parando de subir lá fora, taxa de câmbio estabilizada perto do R$ 5, e expectativa de inflação doméstica reagindo bem ao novo arcabouço fiscal abre espaço para cortes de juros em agosto, setembro.

4 – Uma mudança na meta de inflação não pode piorar as expectativas?

Tem uma discussão grande se vai ou não haver alteração na meta. Eu acho que, quando se cogitou aumentar o centro da meta, talvez, tenha atrapalhado um pouco. Os agentes acabam colocando um prêmio em cima disso. A discussão mais recente é não alterar o centro, mas alterar a banda. Eu acho que é muito mais palatável. E a ideia de mudar o timing, em vez de ser ano calendário fechado, colocar um horizonte mais contínuo, é bem razoável. Se for uma alteração no sentido de só ampliar a banda e mudar um pouco o espectro temporal em que você analisa, eu acho que as expectativas ficam bem ancoradas e, eventualmente, até devolvendo algum susto de algumas semanas ou meses atrás quando se cogitou aumentar o centro.

5 – Como o câmbio deve se comportar?

Talvez, a gente esteja muito perto do melhor momento de diferencial de juros do Brasil e dos Estados Unidos. Se o juro acabou de chegar ao seu eventual pico nos Estados Unidos, e a gente vai começar a ter reduções de juros no Brasil, essa margem de juro maior do Brasil versus Estados Unidos, talvez, esteja muito perto de diminuir. Tem uma probabilidade de a gente ter uma queda do câmbio nas próximas semanas, mas eu acho que não vem muito abaixo de R$ 5. E, dependendo de quanto o juro cai no Brasil, antes de ter espaço para uma queda de um dos EUA, esse diferencial vai começando a ser contrário, e o dólar pode começar a subir um pouco.

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