Quarta-feira, 07 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 5 de janeiro de 2026
O consumo de álcool está presente em grande parte das confraternizações, encontros com amigos e reuniões de família. Nessas ocasiões, é comum surgir a dúvida sobre a segurança de beber durante um tratamento medicamentoso, já que médicos e farmacêuticos costumam orientar que a combinação seja evitada. A recomendação não é aleatória: misturar álcool e remédios pode trazer riscos significativos à saúde.
Segundo o hepatologista Henrique Rocha, do Hospital Brasília Águas Claras, o principal problema começa no fígado, órgão responsável por metabolizar tanto o álcool quanto a maioria dos medicamentos. Quando as duas substâncias são ingeridas simultaneamente, ocorre uma espécie de disputa pelo processamento hepático.
“O fígado tende a priorizar o álcool, por se tratar de uma substância tóxica. Com isso, os medicamentos permanecem circulando por mais tempo no organismo, o que pode aumentar sua toxicidade e provocar inflamação no fígado”, explica o especialista. Esse prolongamento da ação medicamentosa, longe de ser benéfico, pode sobrecarregar o organismo e elevar o risco de efeitos colaterais.
A interação entre álcool e medicamentos pode ocorrer em diferentes níveis, mas algumas classes exigem atenção especial. Analgésicos amplamente utilizados em automedicação, como o paracetamol, são frequentemente citados como exemplos de maior risco. “Quase todas as medicações apresentam algum grau de interação com o álcool. Analgésicos, antibióticos, antidepressivos, ansiolíticos e determinados anti-inflamatórios preocupam mais, pois aumentam o risco de lesão hepática, sangramentos gastrointestinais e sedação excessiva”, alerta Rocha.
Além disso, medicamentos usados no controle de doenças crônicas, como os indicados para hipertensão e diabetes, também podem ter sua eficácia reduzida quando associados ao consumo de álcool, comprometendo o tratamento e o controle da doença.
As reações variam conforme o tipo de medicamento, a quantidade de álcool ingerida e a sensibilidade de cada pessoa. Ainda assim, alguns sintomas devem ser considerados sinais de alerta, como tontura intensa, sonolência excessiva, confusão mental, náuseas persistentes, alteração do nível de consciência, dificuldade para respirar e arritmias cardíacas.
Caso esses sinais surjam após o uso combinado, a orientação é buscar atendimento médico imediato e informar sobre a ingestão de álcool junto ao medicamento. Para Rocha, o fato de o organismo nem sempre apresentar sinais claros de sobrecarga torna a prevenção ainda mais importante. “Por isso, a medida mais segura continua sendo evitar completamente o consumo de álcool durante o tratamento. A recomendação médica é de abstinência total”, conclui.