Domingo, 25 de fevereiro de 2024

Herdeira do Itaú, Neca Setebal articula fundo para a Amazônia, diz a ministra Marina Silva

Apoiadora da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva (Rede), Maria Alice Setubal, conhecida como Neca Setubal, está começando a organizar um fundo filantrópico com famílias brasileiras para investir na Amazônia. As conversas com Marina Silva sobre o tema começaram em dezembro, ainda no governo de transição, mas deve ganhar força nas próximas semanas.

Em entrevista ao Valor Econômico, a socióloga, que é herdeira do Itaú e preside a fundação Tide Setubal, contou que começou a alinhar o projeto com Beatriz Bracher, também do banco Itaú, como deverá ser a captação de recursos para o Fundo Amazônia.

“Vamos começar a procurar as fundações e famílias brasileiras que podem aportar recursos no fundo”, disse Neca Setubal. Para ela, é importante que a filantropia brasileira também se engaje no Fundo Amazônia. “Esse é conceito básico. Achamos o projeto tão importante que não pode ficar apenas com governos e filantropias internacionais”, comentou.

O valor da captação não está definido, mas Neca Setubal acha que o fundo brasileiro não deverá ter o mesmo porte de iniciativas semelhantes dos Estados Unidos, que já manifestaram em colocar recursos na Amazônia. “As conversas ainda estão no começo”, comentou.

Nesta semana, a ministra do Meio Ambiente afirmou que as fundações do ator
americano Leonardo DiCaprio e o empresário Jeff Bezos, da Amazon, pretendem levantar fundos de US$ 100 milhões para ajudar a região amazônica.

“Existe um conceito, para além dos governos europeus e dos Estados Unidos, de que a filantropia pode participar mais ativamente desses projetos. A ideia é que a filantropia brasileira também se manifeste. Esse é conceito básico”, disse Neca Setubal.

Segundo ela, o projeto e as conversas com famílias e empresas brasileiras devem começar a ser estruturados nas próximas semanas. “Tem um grupo de pessoas e vários empresários já engajados na Concertação pela Amazônia, com várias iniciativas. Isso já demonstra que uma parte deles já está comprometida com a Amazônia. Se eles estão comprometidos na filantropia ainda não dá para saber”, disse a herdeira de um dos maiores bancos privados do país.

De acordo com o cientista brasileiro Carlos Nobre, o Fundo Amazônia tem potencial para captar cerca de US$ 10 bilhões. Nobre, que acompanhou a ministra Marina Silva no Fórum Econômico Mundial, disse ao Valor que o fundo tem hoje cerca de US$ 1,2 bilhão.

Alemanha e Noruega, que já investem no programa, pretendem aumentar o aporte no fundo, e o Reino Unidos também tem interesse de colocar recursos, afirmou Marina Silva.

Criado em 2008, o fundo está paralisado desde 2019, na gestão de Jair Bolsonaro (PL).

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