Quarta-feira, 17 de junho de 2026

Histórias reais de pacientes ocupam a Assembleia Legislativa gaúcha para dar visibilidade a doenças crônicas de pele

Doenças que se manifestam na pele, mas seguem invisibilizadas no debate público, ganharam espaço no saguão de entrada da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (ALRS) na terça-feira (16), em uma ação de conscientização promovida pela Psoríase Brasil e pela Frente Parlamentar de Combate às Doenças Crônicas e Autoimunes de Pele.

A iniciativa chama atenção para o impacto físico, emocional e social de condições como psoríase, hidradenite supurativa, dermatite atópica, vitiligo e alopécia areata. Integrada à campanha “Cada história é única”, a mobilização leva ao saguão da ALRS totens, banners e painéis informativos com histórias reais de pessoas que convivem com doenças crônicas de pele.

A exposição, que prossegue até esta sexta-feira (19), busca aproximar o público de diagnósticos ainda cercados por desinformação, preconceito, atraso no acesso ao cuidado adequado e impactos que vão além dos sintomas visíveis.

A participação do público durante a exposição mostra que o tema atravessa a rotina de muitas pessoas, mesmo quando elas ainda não sabem nomear o que vivem ou o que já presenciaram. Visitantes relataram já terem tido contato com doenças crônicas de pele, por experiência própria ou de familiares, mas sem compreender plenamente seus impactos. Para muitos, a ação realizada pela entidade foi descrita como reveladora e necessária.

O totem interativo, que convida o público a identificar diferentes doenças de pele a partir de imagens de lesões, registrou 244 participações e média de 60% de acertos em quatro horas. O resultado indica lacunas importantes de conhecimento: enquanto o vitiligo teve o maior índice de reconhecimento, com 78% de acertos, a psoríase teve o menor, com 45%. A atividade foi acompanhada pela distribuição de infográficos sobre as doenças contempladas pela campanha.

Entre os materiais expostos, painéis trazem frases de impacto associadas a relatos reais, como “Sofri por 10 anos antes do diagnóstico”, sobre hidradenite supurativa; “Tive lesões em mais de 80% do corpo”, sobre psoríase; “Como dói ver o cabelo cair por causa das suas emoções”, sobre alopecia areata; e “Tinha dias que eu só queria ter uma pele de uma só cor”, sobre vitiligo. A proposta é mostrar que, por trás de cada diagnóstico, existe uma história marcada por sintomas, sofrimento emocional e necessidade de acolhimento.

Para a presidente da Psoríase Brasil, Gladis Lima, a ação mostra que dar visibilidade às doenças crônicas de pele também é uma forma de cuidado. “Quando levamos essas histórias para um espaço como a Assembleia Legislativa, mostramos que essas doenças não são apenas questões individuais ou estéticas. Elas impactam a autoestima, a rotina, o trabalho, as relações e o acesso à saúde. Informação, diagnóstico precoce e acolhimento precisam caminhar juntos, porque o preconceito também adoece”, afirma.

A escolha da ALRS reforça o objetivo de aproximar o tema de espaços de decisão. Mais do que uma ação informativa, a mobilização busca fazer com que quem circula pela Assembleia olhe para essas doenças com mais atenção e empatia. Ao ocupar o saguão com rostos, dados, imagens e histórias reais, a campanha reforça uma mensagem central: cada pele carrega uma história, e nenhuma delas deve permanecer invisível.

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