Segunda-feira, 17 de junho de 2024

Hormônio do exercício protege os rins contra danos do diabetes

Um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) confirmou, através de uma sequência de experimentos, que a irisina, uma substância liberada pelo tecido muscular durante a prática de atividade física, é a mais recente esperança da ciência para a proteção dos rins de pessoas diabéticas dos danos causados pela progressão da doença.

Também conhecida como hormônio do exercício, ela é considerada pelos cientistas como um dos principais mensageiros químicos responsáveis pela longa lista de benefícios proporcionados pela atividade física regular ao organismo humano.

O estudo, publicado na revista Scientific Reports, apontou pela primeira vez de que maneira ela pode prevenir os estragos renais produzidos pelo diabetes. Silenciosa, a doença atinge entre 20% e 40% dos diabéticos. Ao provocar danos nos vasos sanguíneos, artérias e veias que irrigam os rins, conduz à insuficiência renal crônica.

“Nós constatamos que o exercício aeróbico está associado a um aumento da irisina muscular na circulação sanguínea e também nos rins, conferindo nefroproteção”, explica o médico José Butori Lopes de Faria, do Laboratório de Fisiopatologia Renal e Complicações do Diabetes da Faculdade de Ciências Médicas (FCM-Unicamp) e orientador de Guilherme Pedron Formigari, primeiro autor do estudo.

Os pesquisadores avaliaram o soro humano (sangue centrifugado, sem os glóbulos vermelhos) de diabéticos exercitados e sedentários. Nas amostras de quem se manteve em atividade, a irisina encontrada protegeu o rim e reduziu a lesão das células tubulares expostas a alta concentração de glicose.

Identificada por biólogos da Universidade de Harvard (Estados Unidos) há uma década, a irisina tem sido alvo de muitos estudos que visam desvendar seus mecanismos de ação.

Pesquisas com roedores já mostraram, por exemplo, que esse hormônio também é importante para a formação da memória e a proteção dos neurônios em roedores com enfermidade semelhante ao Alzheimer, entre outros benefícios.

A versão sintética da irisina já começou a ser testada em voluntários. Em teoria, sua principal virtude é, diferentemente dos medicamentos hoje disponíveis para contornar o excesso de peso, não mexer com quaisquer mecanismos do cérebro.

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