Quarta-feira, 11 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 11 de março de 2026

Em meio ao intenso movimento de máquinas agrícolas, tecnologia e debates sobre o futuro do agronegócio, um espaço silencioso e repleto de aromas naturais tem despertado a curiosidade e o interesse de milhares de visitantes na Expodireto Cotrijal. Trata-se do Horto de Plantas Bioativas da Emater/RS-Ascar, que se consolida como um dos ambientes mais procurados da feira realizada em Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul.
Muito além de um jardim de plantas medicinais, o horto foi concebido como um espaço de aprendizado, cuidado e reconexão com a natureza. Em um cenário onde inovação e produtividade dominam as discussões do campo, o local convida o público a refletir sobre um conceito cada vez mais presente nas políticas agrícolas e ambientais: a saúde integral, que considera de forma interligada o bem-estar humano, animal e ambiental.
Com mais de 200 espécies medicinais, aromáticas, condimentares e alimentícias cultivadas no mesmo ambiente, o horto funciona como um verdadeiro laboratório vivo de conhecimento popular e científico. A proposta é demonstrar como o uso consciente das plantas bioativas pode contribuir para a promoção da saúde, a preservação da biodiversidade e até mesmo a geração de renda para famílias rurais.
A coordenação do espaço está a cargo da assistente técnica regional social Doriana Gozzi Mioto, que destaca o caráter educativo e terapêutico da iniciativa. Segundo ela, em meio à intensa programação da feira, o horto oferece uma pausa necessária para reflexão e aprendizado.
“O espaço foi pensado para acolher as pessoas. Aqui elas podem observar, tocar, sentir os aromas e compreender como as plantas fazem parte do cuidado com a saúde e com o meio ambiente”, explica.
Entre as espécies que recebem destaque nesta edição está a Achillea millefolium, conhecida popularmente como mil-folhas ou pronto-alívio. A planta é apresentada sob diferentes perspectivas, evidenciando sua versatilidade e importância em diversas práticas terapêuticas e agrícolas.
No campo da fitoterapia, são abordadas propriedades associadas ao bem-estar digestivo, circulatório e feminino, além de aplicações no alívio de dores. Já na aromaterapia, a planta ganha destaque na produção de óleos essenciais utilizados em práticas de relaxamento e equilíbrio emocional.
Outro aspecto apresentado aos visitantes é a aplicação da homeopatia veterinária, demonstrando como princípios naturais podem contribuir para o cuidado com a saúde animal. A planta também aparece em práticas da agricultura biodinâmica, voltadas ao fortalecimento do solo e à vitalidade das lavouras.
O potencial paisagístico da espécie também chama atenção. Sua adaptabilidade, beleza e capacidade de atrair polinizadores reforçam o papel das plantas bioativas na manutenção do equilíbrio ecológico e da biodiversidade.
A experiência oferecida pelo horto ultrapassa fronteiras. Durante a feira, o espaço recebeu a visita de representantes da Cooperativa Colônias Unidas, da cidade de Obligado, no Paraguai. O grupo busca referências para desenvolver projetos semelhantes voltados aos pequenos produtores rurais.
Para o presidente da cooperativa, Fábio Lang, iniciativas como a desenvolvida pela Emater demonstram a importância da extensão rural na formação de agricultores protagonistas e conscientes do seu papel no desenvolvimento sustentável.
Além da exposição das espécies, o horto oferece uma programação diversificada, com oficinas de cultivo de plantas bioativas, produção de óleos essenciais, práticas de aromaterapia e atividades terapêuticas como as Pindas Chinesas. O público também participa de visitas autoguiadas por trilhas identificadas com placas e QR Codes que apresentam informações detalhadas sobre cada espécie.
Outro momento aguardado pelos visitantes é a distribuição de mudas, incentivo para que o conhecimento adquirido na feira se transforme em prática nas propriedades rurais e nos quintais urbanos.
Mais do que apresentar plantas, o Horto de Plantas Bioativas reafirma uma mensagem que ganha força no debate contemporâneo: cuidar da terra, da biodiversidade e das pessoas são ações inseparáveis. Em um mundo cada vez mais acelerado, o espaço demonstra que inovação no campo também passa pelo resgate de saberes naturais e pela construção de uma relação mais equilibrada entre produção, saúde e meio ambiente. (por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)