Quinta-feira, 22 de outubro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 21 de outubro de 2026
Os recursos de Inteligência Artificial podem ser bastante úteis nas últimas semanas antes do Enem, seja em revisões, em correções ou na otimização da rotina do candidato. Com os devidos cuidados, a IA pode formular simulados e mapas mentais, indicar conteúdos, identificar padrões de erro e propor temas para a redação, apontam professores e educadores.
“Os agentes de IA podem funcionar como professores de matemática, lendo os resultados obtidos em provas anteriores e indicando conteúdos a serem revisados. Podem também identificar lacunas e sugerir vídeos e artigos on-line. E estabelecer uma lista de exercícios baseada nos gaps do candidato”, afirma Marcelo Tavares, diretor pedagógico do Elite Rede de Ensino, parceiro da Amplia Plataforma de Ensino.
No caso da Redação, a inteligência artificial pode sugerir temas baseados na própria postura do Enem de apostar em temáticas de valorização da cidadania e da participação política, explica o educador: “O principal risco é deixar a IA escrever textos pelo aluno. Ela entra como corretora e orientadora, nunca como autora”.
A revisão de textos pode ser feita via Matriz de Referência do Enem, que é pública e estabelece o conteúdo, as competências e o que é exigido nas provas, a partir dos cinco eixos cognitivos que norteiam a avaliação. A IA consegue identificar os pontos fracos do estudante e oferecer uma estimativa de nota, o que auxilia na autoavaliação e na definição do que ainda vale ser aprimorado.
Atenção redobrada na hora de checar
Como em todos os usos de IA, o candidato precisa conferir as explicações e respostas em fontes confiáveis e em gabaritos oficiais. Não existe ferramenta imune a equívocos, então ninguém deve considerá-la como fonte única de informação. Respostas desatualizadas, simplificações exageradas, má interpretação de enunciados e cálculos matemáticos errados sempre podem surgir, mesmo quando a resposta é eloquente e aparentemente segura.
Para Rafaela Quintella, coordenadora do Ensino Médio e Pré-Vestibular do Colégio e Curso Pensi, os recursos são interessantes para a sistematização da rotina final de estudos.
“As ferramentas permitem agilizar e individualizar etapas: organizar a rotina, revisar conceitos rápidos ou simular situações de prova. Embora a IA não substitua o planejamento pedagógico, pode potencializar o estudo. Na redação, o aluno tem que desenvolver sua própria capacidade de argumentação e construção textual. Dá pra recorrer a ferramentas que utilizem como referência os critérios de correção do Inep, para uma análise mais próxima da realidade do Enem. A essa altura, mais do que estudar muito, o segredo é estudar bem”, recomenda.
Para evitar respostas genéricas ou incorretas, as dicas são:
Dar comandos claros; Definir a persona com quem se consultar (exemplo, “um professor voltado ao Enem”, “um especialista na Teoria de Resposta ao Item”); Buscar livros didáticos e provas anteriores com gabarito para garantir.
Na dúvida, especialmente em questões discursivas e relativas à Redação, a orientação dos profissionais da educação é checar com os professores presencialmente, para validar o que a IA sugere.
Rodrigo Reis, especialista em Enem e diretor do Cubo Global School, lembra também que, ao ter respostas erradas apontadas pela IA, o aluno deve procurar entender onde falhou: se faltou conteúdo, se houve um problema de interpretação ou se foi, simplesmente, uma distração momentânea:
“Existe um ouro nesta preparação que se explora pouco: os próprios erros. Um caminho prático é reunir as provas e os simulados, junto com as respostas e os gabaritos oficiais. A IA organiza esse material por assunto e ajuda a perceber onde estão tanto os erros mais frequentes quanto os pontos fortes. Aquela impressão de ‘sou bom nisso’ ou ‘tenho dificuldade naquilo’ passa a ser confrontada com os resultados. Só tem que conferir se a ferramenta organizou tudo certinho”, avisa.
Na Redação, por exemplo, é possível descobrir se é preciso desenvolver melhor os argumentos ou organizar a ligação entre os parágrafos. Em vez de tentar mudar tudo na próxima, o aluno já reúne pontos específicos para trabalhar. (Com informações do jornal O Globo)