Quarta-feira, 28 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 27 de janeiro de 2026
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), por meio da Promotoria de Justiça Criminal do município de Alegrete (Fronteira-Oeste gaúcha), obteve a condenação judicial de um homem de 79 anos pela prática do crime de estupro de vulnerável contra duas crianças. De acordo com o processo, ele era amigo das famílias das vítimas e frequentava suas respectivas casas. As penas somadas são de quase 36 anos de prisão.
Consta no processo que, aproveitando-se dessa relação de confiança, o idoso cometeu os abusos sexuais de forma repetida ao longo de vários anos. Em ambos os casos, as crianças eram atacadas desde os 6 anos de idade, sendo que uma delas permaneceu sob ataque até a pré-adolescência, com 11 anos.
O réu foi condenado em duas ações penais distintas, recebendo sentença de 17 anos, nove meses e dez dias de reclusão para cada acusação. Com isso, o tempo total de cadeia chega a de 35 anos, 6 meses e 20 dias, a serem cumpridos em regime fechado e sem possibilidade de recurso em liberdade.
A promotora Rochelle Jelinek, que atuou em ambos os processos acusatórios, ressalta que o enfrentamento aos crimes sexuais contra crianças exige vigilância constante e o compromisso de toda a sociedade de denunciar situações suspeitas:
“O abuso sexual infantil é um crime que destrói infâncias de forma silenciosa. Ele não acontece nas sombras dos becos, nos cantos das praças ou nas ruas escuras, mas dentro de casa, praticado por pessoas próximas, que convivem com a família e conquistam a confiança das vítimas. É a face mais perversa da pedofilia, justamente porque o agressor costuma ter um rosto familiar e um comportamento que não costuma levantar suspeitas”.
Nesse mesmo contexto, ela reforça que a percepção social sobre o abusador sexual precisa ser melhor compreendida, inclusive evitando-se estereótipos: “Nos processos ouvimos repetidamente relatos de que o réu ‘era uma pessoa trabalhadora, alguém de confiança’, como se isso fosse incompatível com a prática de abuso sexual”.
Por fim, Rochelle chama a atenção para a importância de que a comunidade compreenda que o abusador não tem um perfil único: “Muitas vezes ele é uma pessoa conhecida da criança, um indivíduos próximo, como nos casos agora julgados”.
Ele menciona estatísticas segundo as quais 86% desses crimes são praticados por pais, padrastos, avós, tios ou amigos destes entes. Por isso é fundamental acreditar nas vítimas, fortalecer as redes de proteção e romper o silêncio que permite que esses crimes continuem sendo cometidos”.
(Marcello Campos)