Sexta-feira, 09 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 8 de janeiro de 2026
Os detalhes de alguns dos negócios imobiliários feitos por empresas ligadas a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que vieram à tona após o escândalo mostram valorizações ou desvalorizações súbitas em operações que sinalizam desvantagens milionárias para o lado do banqueiro.
Em 15 de maio de 2025, a Viking Participações, empresa da qual Vorcaro é sócio, comprou um apartamento triplex em São Paulo por R$ 29,7 milhões e o vendeu 11 dias depois, em 26 de maio, por R$ 27 milhões. O imóvel, cujo valor de referência citado na escritura é de R$ 9,9 milhões, tem 838 m² de área privativa, sete vagas e ocupa desde o 22º até o 24º andar de um edifício na rua Leopoldo Couto de Magalhães Júnior, no Itaim Bibi, bairro rico da capital paulista.
O triplex foi anunciado no site da Homesphere, empresa de corretores de luxo, por R$ 50 milhões. Segundo a companhia, o valor do condomínio é R$ 12.900 e o IPTU mensal custa R$ 5.200. A assessoria de Vorcaro disse que a transação do triplex “faz parte da venda de ativos ao BTG no contexto de capitalização do Master”, mas não explicou por que ele comprou o imóvel dias antes.
No registro da aquisição do triplex pela Viking por R$ 29,7 milhões, a matrícula do imóvel menciona um compromisso de compra e venda de 2020, mas tal documento não foi registrado. A Viking ficou conhecida quando Vorcaro foi preso, em 17 de novembro, por ser proprietária do jato em que o banqueiro pretendia embarcar para viajar a Malta. Ele foi solto 12 dias depois. A empresa voltou a aparecer por causa de outro imóvel que teve valorização súbita antes de chegar às mãos do banqueiro.
Em 2 de março de 2020, um empresário de São Paulo, o antigo proprietário de um apartamento de 113 m², vendeu o imóvel para uma empresa da qual ele mesmo era sócio por R$ 1,5 milhão. Em 20 de março de 2020, 18 dias depois, essa companhia vendeu o apartamento para a Viking por R$ 4,4 milhões, quase três vezes mais.
O imóvel chamou a atenção da mídia porque, em 2024, a Viking vendeu (pelos mesmos R$ 4,4 milhões) o apartamento para a Super Empreendimentos e Participações SA, que tem ligações com Vorcaro e sua família. A Super, por sua vez, doou o imóvel a uma mulher que havia sido citada em uma operação policial contra o tráfico de drogas anos antes.
Em reportagens anteriores que questionaram sobre a ligação do banqueiro com a Super, a assessoria de Vorcaro disse que a relação é comercial, e um dos sócios da empresa é cunhado de Vorcaro.
Dados da Receita apontam que Fabiano Zettel, casado com a irmã do banqueiro, foi diretor da Super e que uma sócia dele, Ana Cláudia Queiroz de Paiva, segue como diretora. A assessoria do banqueiro afirma também que Ana Cláudia presta serviço a uma das empresas de Vorcaro.
Um dos contratos de aluguel assinados entre Vorcaro e a Super, segundo o banqueiro, é a casa de R$ 36 milhões famosa por ter sido usada por ele para receber políticos em Brasília.
O imóvel também apresentou valorização: em abril de 2024, foi integralizado por uma pessoa física ao patrimônio de uma pessoa jurídica da qual ela mesma é sócia, por R$ 7,3 milhões. Em junho do mesmo ano, tal empresa vende a casa para a Super por R$ 36 milhões. Procurado, o antigo proprietário diz que o preço subiu porque ele construiu uma casa de 1.700 m² no terreno. (Com informações do jornal Folha de S.Paulo)