Sábado, 07 de março de 2026

Impacto do conflito no Irã já reflete nos postos de combustíveis do Rio Grande do Sul

O impacto da guerra no Oriente Médio, nos preços dos derivados do petróleo, como a gasolina e o diesel, já está chegando aos postos de combustíveis do Rio Grande do Sul. O alerta é do Sulpetro ― entidade que representa o comércio varejista de combustíveis no Estado.

Conforme dados de agentes do segmento, as refinarias e outros importadores já estão repassando ajustes nos valores dos combustíveis, vindos do exterior, para as companhias distribuidoras, devido à elevação do preço do barril de petróleo em função do bloqueio do Estreito de Ormuz, provocado pelo conflito na região. Em alguns casos, o aumento registrado foi de R$ 0,30 na gasolina e R$ 0,62 no diesel.

Além disso, a Petrobras está impondo cotas para a retirada de produtos para as distribuidoras, em especial, no diesel, justamente em período de safra, quando aumenta a demanda por este tipo de combustível.

“Percebemos que será inevitável algum tipo de movimentação na ponta da cadeia de combustíveis, a curto prazo”, projeta o presidente do Sulpetro, João Carlos Dal’Aqua. Ele explica que, com o preço do barril de petróleo saindo de US$ 65, no início deste ano, para US$ 83 hoje, as companhias distribuidoras já estão transferindo a diferença aos postos. “Sabemos que o repasse não ocorre de forma linear e que o cenário ainda é de muitas incertezas. Mas já recebemos relatos sobre a ocorrência de variações brutas na revenda de combustíveis, especialmente para aqueles que comercializam produtos importados”, comentou o dirigente sindical.

O petróleo Brent, que serve de referência global, ultrapassou nesta sexta-feira (6) o patamar de US$ 92 o barril, e o WTI atingiu os US$ 89. A situação desencadeia uma onda de perturbações nos mercados de energia, e faz com o que o petróleo caminhe para a maior alta semanal desde 2022. Às 14h56 (horário de Brasília), o contrato Brent de maior negociação subia 10%, para US$ 94 o barril. Já o preço do WTI saltava 14%, para US$ 92 o barril.

A alta ocorre mesmo depois de o presidente Donald Trump ter sinalizado uma “ação iminente” para reduzir a pressão sobre os preços e de o Departamento do Tesouro ter aliviado as restrições à capacidade da Índia de comprar petróleo russo.

Sem sinais de trégua nas hostilidades, o Goldman Sachs alertou para o risco de o preço do petróleo ultrapassar os US$ 100 por barril caso a interrupção se prolongue; os contratos futuros de diesel na Europa caminhavam para uma alta semanal de cerca de 50%; e os bancos centrais manifestaram preocupação com uma possível retomada da inflação. O ministro da Energia do Catar advertiu que o petróleo poderia chegar a US$ 150.

O tráfego comercial pelo Canal de Ormuz foi praticamente interrompido, segundo o Centro Conjunto de Informação Marítima (Joint Maritime Information Center), um grupo multinacional de assessoria naval. O colapso decorre de “ameaças à segurança, restrições de seguros, incerteza operacional e interrupções efetivas”, afirmou o centro.

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