Segunda-feira, 15 de junho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 15 de junho de 2026
O coordenador da pré-campanha presidencial de Romeu Zema (Novo), Marcelo Aro, afirmou que os danos políticos enfrentados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) poderiam ter sido reduzidos caso a relação com o banqueiro Daniel Vorcaro tivesse sido esclarecida antes de vir à tona por meio de reportagens e investigações.
A declaração ocorre em meio à crise enfrentada pelo pré-candidato do PL após a divulgação de mensagens, áudios e informações sobre sua proximidade com Vorcaro, controlador do Banco Master. O caso provocou desgaste na pré-campanha de Flávio e abriu uma disputa dentro do campo da direita sobre os efeitos eleitorais do episódio.
Segundo Aro, o principal problema não foi necessariamente a existência da relação entre os dois, mas a forma como o tema se tornou público.
“Se isso tivesse sido exposto antes, explicado antes, o impacto certamente seria menor”, afirmou o coordenador durante entrevista a jornalistas ao comentar a repercussão do caso. A avaliação é compartilhada por integrantes do Novo que consideram que a falta de transparência contribuiu para ampliar a repercussão negativa do episódio.
As declarações reforçam o posicionamento adotado por Zema nas últimas semanas. O ex-governador de Minas Gerais tornou-se um dos principais críticos de Flávio Bolsonaro dentro do espectro da direita desde a divulgação das informações envolvendo Vorcaro. Em eventos públicos e entrevistas, Zema afirmou que a proximidade de políticos com empresários investigados ou envolvidos em suspeitas de irregularidades deve ser motivo de preocupação para os eleitores.
O caso ganhou destaque nacional após reportagens revelarem conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. A repercussão levou adversários e até aliados a questionarem a condução da pré-campanha do senador.
Apesar das críticas, integrantes do Novo têm evitado defender um rompimento político com o PL. Nos últimos dias, Zema descartou a possibilidade de uma ruptura entre os partidos e afirmou que apoiaria Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O episódio também provocou reações dentro da família Bolsonaro. O deputado federal Eduardo Bolsonaro chegou a sugerir o rompimento das alianças entre PL e Novo após novas críticas de Zema ao senador. Em publicação nas redes sociais, Eduardo acusou o ex-governador mineiro de utilizar o caso para desgastar um concorrente na disputa pelo eleitorado de direita.
Nos bastidores, lideranças do campo conservador avaliam que a controvérsia envolvendo Vorcaro se transformou em um dos principais desafios da pré-campanha de Flávio Bolsonaro. Pesquisas divulgadas após o surgimento das denúncias indicaram queda nas intenções de voto do senador e ampliaram as discussões sobre a estratégia eleitoral do PL para a disputa presidencial de 2026.
Mesmo com o desgaste, dirigentes partidários avaliam que ainda há tempo para recuperação política antes do início oficial da campanha, mas reconhecem que a condução da crise e a capacidade de esclarecer os fatos ao eleitorado serão determinantes para o futuro da candidatura.