Sábado, 17 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 16 de janeiro de 2026
A indústria automobilística fechou 2025 com resultados positivos, mas abaixo do que o setor esperava. As projeções da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) para 2026 são cautelosas. Não só porque o ano passado terminou sem sinalizar tendência de recuperação mais firme como também o cenário político-econômico nacional e global traz incertezas.
Com 2,64 milhões de unidades, a produção de veículos cresceu 3,5% em 2025. Apesar de o total do ano ter sido positivo, em dezembro o ritmo diminuiu. No último mês do ano foram produzidos 184,5 mil veículos, 3,9% menos do que no mesmo período de 2024.
Para 2026, a Anfavea estima a produção de 2,74 milhões de unidades, o que representa crescimento de 3,7% em relação a 2025. A entidade pretende atualizar os cálculos trimestralmente.
O ano chega com um cenário de incertezas. Segundo o presidente da Anfavea, Igor Calvet, a entidade mantém “otimismo contido” como consequência de “dúvidas e instabilidades que surgem a toda hora”, como tensões geopolíticas, reforma tributária e taxa de juros.
Ao divulgar os resultados de 2025, Calvet disse que a Anfavea “esperava mais”. “Mesmo assim, fechamos o ano no positivo e o Brasil conseguiu manter as posições de oitavo maior produtor e sexto maior mercado de veículos do mundo”, disse o dirigente.
No mercado interno, as vendas somaram 2,68 milhões de veículos, uma expansão de 2,1%. O crescimento foi maior em dezembro, de 8,5%, com 279,4 mil unidades. Neste ano, a expectativa é chegar a 2,76 milhões de unidades, o que representa aumento de 2,7% em relação a 2025.
Os resultados foram melhores no segmento de híbridos e elétricos, cujas vendas cresceram 60,8% em 2025. A base era baixa. Mesmo assim, veículos com esse tipo de tecnologia já representaram 11,2% das vendas em 2025 e 14,9% do mercado em dezembro.
Grande parte desses carros, incluindo todos os 100% elétricos, foi importada. Um total de 498 mil veículos vendidos no país em 2025 veio do exterior. A fatia da China nesse volume foi de 37,6%.
No fim deste mês, termina o prazo fixado pelo governo para isenção de Imposto de importação para veículos que entram no país semimontados (SKD), um sistema utilizado pela BYD.
Recentemente, surgiu, em Brasília, uma mobilização, nos bastidores do governo, pela prorrogação do benefício. A Anfavea se opõe. “Julgo coerente e prudente o encerramento do incentivo”, diz Calvet. Para ele, estender a isenção tributária significa o “empobrecimento da base industrial brasileira”.
O segmento de caminhões e ônibus continuará em queda em 2026. A Anfavea prevê retração de 0,5% no mercado interno e de 1,1% nas exportações. A expectativa é que o programa de financiamento Move Brasil, com juros subsidiados e em vigor desde o início do mês, ajude a “estancar” a queda.
Como resultado dos juros altos, segundo os dirigentes do setor, as vendas de caminhões recuaram 9,2% em 2025. Nos pesados, que atendem sobretudo ao setor agrícola, a queda foi maior, de 20,5%.
A retração provocou eliminação de 740 empregos na indústria de caminhões em 2025, segundo a Anfavea. Mas a abertura de novos postos de trabalho nas montadoras de carros e comerciais leves ajudou a fechar o ano com resultado positivo. As fábricas de veículos encerraram o ano com 109,6 mil trabalhadores, 2,3% mais do que um ano atrás.
Vendas a outros países registraram significativo crescimento em 2025, de 32,1%, com 528,8 mil unidades embarcadas. O avanço se deve, sobretudo, à Argentina, que comprou do Brasil volume 85% acima do total de 2024. Isso ajudou o setor a obter, no exterior, uma receita de US$ 13,5 bilhões, 22,9% acima do total em 2024.
As projeções da Anfavea para a exportação em 2026 são, no entanto, cautelosas. A entidade calcula embarcar 536 mil veículos, o que representa avanço de 1,3% em relação a 2025. A exportação apresentou resultado ruim já em dezembro, com queda de 38,1% (18,7 mil unidades) em relação ao mesmo mês do ano anterior. Foi o pior resultado mensal desde abril de 2020. As informações são do Valor Econômico.