Sábado, 20 de julho de 2024

Inédito: médicos realizam transplante de orelha feita em impressora 3D

Uma mulher de 20 anos que nasceu com a orelha direita pequena e deformada recebeu um implante de orelha impresso em 3D feito com suas próprias células. Especialistas independentes disseram que o procedimento, parte do primeiro ensaio clínico de uma aplicação médica bem-sucedida dessa tecnologia, foi um avanço impressionante no campo da engenharia de tecidos.

A nova orelha, transplantada em março, foi impressa em um formato que combinava exatamente com a orelha esquerda da mulher e continuará a regenerar o tecido cartilaginoso, dando-lhe a aparência de uma orelha natural, segundo a 3DBio Therapeutics, uma empresa de medicina regenerativa dos Estados Unidos.

“É definitivamente um grande feito”, disse Adam Feinberg, cofundador da FluidForm, empresa de medicina regenerativa que também usa impressão 3D. “Isso mostra que essa tecnologia não é mais um ‘se’, e sim um ‘quando’”.

Os resultados da cirurgia reconstrutiva foram anunciados pela 3DBio em um comunicado à imprensa. Citando questões de patente, a empresa não divulgou publicamente os detalhes técnicos do processo, dificultando a avaliação de especialistas externos. A companhia informou que os órgãos reguladores americanos revisaram o projeto-piloto e estabeleceram padrões rígidos de fabricação, e que os dados serão publicados em uma revista médica quando o estudo for concluído.

O ensaio clínico, que inclui 11 pacientes, ainda está em andamento, e é possível que os transplantes possam falhar ou trazer complicações de saúde imprevistas. Mas como as células se originaram do próprio tecido da paciente, a nova orelha provavelmente não será rejeitada pelo corpo.

As empresas já usam a tecnologia de impressão 3D para produzir membros protéticos personalizados feitos de plástico e metais leves. Mas o implante de orelha, feito a partir de um pequeno globo de células colhidas da orelha deformada da mulher, parece ser o primeiro exemplo conhecido de um implante impresso em 3D feito de tecidos vivos.

Outros usos

Segundo os executivos da empresa, com mais pesquisas, a tecnologia poderia ser usada para fazer muitas outras peças de reposição do corpo, incluindo discos intervertebrais, narizes, meniscos do joelho, manguitos rotadores e tecidos reconstrutivos para lumpectomia. No futuro, a impressão 3D poderia até produzir órgãos vitais muito mais complexos, como fígados, rins e pâncreas, disseram.

“Se tudo correr como planejado, isso vai revolucionar a forma como o procedimento é feito”, afirmou Arturo Bonilla, cirurgião pediátrico responsável pelo implante da mulher.

James Iatridis, que dirige um laboratório de bioengenharia na Escola de Medicina Icahn de Mount Sinai, disse que outros implantes de tecidos impressos estavam em andamento.

“O implante de orelha 3D é uma prova de conceito para avaliar a biocompatibilidade, a correspondência e a retenção da forma impressa em pessoas vivas”, explicou.

Ainda assim, a parte externa da orelha é um apêndice relativamente simples que é mais estético do que funcional, disse Feinberg, alertando que o caminho para órgãos complexos será longo.

“Ir de uma orelha para um disco intervertebral é um salto muito grande, mas é mais realista se você já tiver a orelha”, afirmou.

O processo de impressão 3D cria um objeto sólido e tridimensional a partir de um modelo digital. A tecnologia geralmente envolve uma impressora controlada por computador que deposita o material em camadas finas para criar a forma precisa do objeto.

De acordo com executivos da 3DBio Therapeutics, o novo implante de orelha integra várias tecnologias registradas, começando com um método para transformar uma pequena amostra de células de um paciente em bilhões de células. A impressora 3D da empresa usa uma “biotinta” à base de colágeno que é segura no corpo e mantém todos os materiais estéreis.

O sucesso da 3DBio, que tem sete anos, é um dos vários avanços recentes na busca pela melhoria dos transplantes de órgãos e tecidos.

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