Quarta-feira, 29 de julho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 1 de maio de 2023
A inflação brasileira terminou o ano passado acima da meta do Banco Central para 2022, mas o indicador nunca ficou tão abaixo na comparação internacional desde pelo menos 1995.
Entre 191 países, a inflação do Brasil foi a 144ª mais alta. A melhor posição anterior do país havia sido em 2007, quando a alta de 4,5% foi a 123ª maior entre 192 países, segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI).
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgado em janeiro pelo IBGE fechou 2022 em 5,79%, acima do centro da meta do BC para o ano passado, de 3,5%, com teto de 5%.
Em 2021, os preços no Brasil subiram 10,1%, a 28ª maior alta no mundo.
É preciso lembrar, porém, que essa desaceleração se deu em grande aos artifícios do governo Jair Bolsonaro na busca da reeleição, ao reduzir tributos sobre as tarifas de energia, combustíveis e telecomunicações.
Um exercício feito pelo ICMS mostrou que, se fossem desconsiderados os itens gasolina e energia elétrica no cálculo da inflação, o IPCA teria encerrado 2022 com alta de 9,56%, e não de 5,79%. Esse cálculo mostra o impacto da redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre esses itens, embora ele não seja o único fator que influenciou a variação de preços desses produtos.
Em 2022, os preços no mundo subiram em média 8,9%, a maior alta desde 1995 (12,6%).
Em relatório em abril, o FMI alertou que a inflação no mundo está “muito mais pegajosa, do que o previsto, mesmo alguns meses atrás. Embora a inflação global tenha diminuído, isso reflete principalmente a forte reversão na energia e preços dos alimentos. Mas o núcleo da inflação, que exclui energia e alimentos, mais voláteis, ainda não atingiu o pico em muitos países.”
A questão do núcleo de inflação também foi tema de alerta pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.
O presidente do BC afirmou no dia 19 de abril que o índice cheio da inflação brasileira está caindo, mas núcleo (que exclui itens mais voláteis) está “bastante resiliente”, recuando em ritmo lento. Ele destacou na ocasião que é “consenso nos bancos centrais” de que “o trabalho ainda não está feito” e que é preciso “ser persistente”.
Esse é um dos motivos para o BC manter a taxa básica de juros (Selic) em 13,75% ao ano, tema de atrito com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Veja o ranking das 20 maiores alterações de preços na comparação de dezembro de 2022 com igual período do ano anterior. (O Brasil ocupa o 144º lugar, com variação de 5,8%)