Sábado, 17 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 16 de janeiro de 2026
A inflação medida pelo Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) avançou 0,29% em janeiro, acima da variação de 0,04% observada em dezembro. No acumulado do ano, o indicador também subiu 0,29%, enquanto nos últimos 12 meses apresentou queda de 0,99%. Os dados foram divulgados nessa sexta-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).
No mesmo período de 2025, o IGP-10 havia registrado alta de 0,53% no mês e acumulava aumento de 6,73% em 12 meses.
“O Índice de Preços ao Produtor (IPA) foi influenciado principalmente pelo segmento de extração mineral, liderado pelo minério de ferro, e pelos combustíveis, em especial o etanol, que subiu 4,59% devido ao menor estoque e à demanda firme no período de entressafra. No consumidor, o início do ano letivo elevou os preços do grupo Educação, enquanto os alimentos apresentaram aceleração. Já a construção sentiu o impacto dos reajustes salariais e acordos coletivos, além do repasse do aumento no preço do cobre”, explicou Matheus Dias, economista do FGV Ibre.
Efeito nos produtores
O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-10) subiu 0,24% em janeiro, revertendo a queda de 0,03% registrada em dezembro. Entre os estágios de processamento:
• Bens Finais: recuou de 0,12% para -0,26%.
• Bens Intermediários: acelerou de 0,06% para 0,40%.
• Matérias-Primas Brutas: passou de queda de 0,18% em dezembro para alta de 0,48%.
Quando excluídos subgrupos específicos, como alimentos in natura e combustíveis, as tendências se mantêm semelhantes, mostrando uma pressão maior em insumos e matérias-primas.
Índice de Preços
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) avançou 0,39% em janeiro, acima dos 0,21% de dezembro. Das oito classes de despesa analisadas, cinco apresentaram aumento: Vestuário, Alimentação, Transportes, Despesas Diversas e Saúde e Cuidados Pessoais. Por outro lado, Educação, Leitura e Recreação, Habitação e Comunicação desaceleraram.
“A maior pressão veio da alimentação, com alta de 3,49%, principalmente alimentos in natura, afetados pelo clima e pelo período de entressafra. Os reajustes das mensalidades escolares e a alimentação fora do domicílio também contribuíram para a aceleração do IPC”, detalhou Dias.
INCC sobe 0,47%
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) registrou alta de 0,47% em janeiro, acima dos 0,22% do mês anterior. Entre os componentes:
• Materiais e Equipamentos: 0,26% (+0,08 ponto em relação a dezembro)
• Serviços: 0,09% (-0,06 ponto)
• Mão de Obra: 0,78% (+0,50 ponto)
• O aumento nos custos reflete principalmente reajustes salariais e acordos coletivos.
Cenário de inflação
Apesar da aceleração nos três indicadores que compõem o IGP-10, a inflação atual é mais contida do que no início de 2025. Segundo Matheus Dias:
• O IPA avançou 0,24% em janeiro, comparado a 0,57% no mesmo mês do ano passado.
• O IPC subiu 0,39%, acima dos 0,26% de janeiro de 2025.
• O INCC desacelerou, de 0,55% para 0,47%.
“Entramos em 2026 com preços mais baixos e cenário internacional mais favorável, especialmente para combustíveis e commodities. A expectativa é que a inflação permaneça moderada ao longo do ano, embora alguns itens, como serviços e alimentação, ainda apresentem volatilidade”, afirmou o economista. As informações são do ICL Notícias e InfoMoney.