Segunda-feira, 27 de abril de 2026

Integrantes do partido de Flávio Bolsonaro avaliam que a radicalização do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, que passou a atacar diretamente ministros do Supremo nas últimas semanas, enfraquece o nome dele para eventualmente ser vice de Flávio

Integrantes do PL avaliam que a radicalização do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que passou a atacar diretamente ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) nas últimas semanas, enfraquece o nome do mineiro para eventualmente ser vice de Flávio Bolsonaro (RJ).

O entendimento de parte dos dirigentes bolsonaristas é de que o senador já tem os votos da direita e extrema-direita e precisa justamente atrair o eleitor de centro, que “se assusta” com os ataques ao STF.

A ofensiva de Zema contra o que ele chama de “intocáveis de Brasília”, com críticas e sátiras, levou o ministro Gilmar Mendes a pedir a inclusão do ex-governador no inquérito das Fake News, que investiga ataques contra a democracia e integrantes da Corte.

Também pesa contra Zema, segundo dirigentes do PL, uma declaração dada pelo ex-governador em 2023, em entrevista ao Estadão, quando ele afirmou que o Nordeste é “vaquinha que produz pouco”.

A avaliação é de que Flávio vai precisar de todo o apoio possível para avançar no Nordeste, região do País dominada por Lula. Também há uma leitura de que a possibilidade de a campanha do petista gerar desgaste para o senador justamente onde a direita pontua pior, “não é um bom negócio para Flávio”.

O senador, no entanto, tem dito que só vai decidir o vice em sua chapa em junho, e a ideia do PL é testar em pesquisas os nomes hoje colocados: além de Zema, a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que já disse que ser vice não cabe em seus planos, mas o PL insiste, as deputadas Simone Marchetto (PP-SP), uma das principais lideranças da Igreja Católica no Congresso, e Clarissa Tércio (PP-PE), evangélica e pernambucana, além da vereadora mais votada no Nordeste, Priscila Costa (PL).

Anti-Supremo

A postura mais combativa adotada por Zema também fez arrefecer a pressão de uma ala do Partido Novo para que ele seja vice do senador Flávio Bolsonaro.

Enquanto Flávio e o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), poupam munição contra o Supremo, Zema vem abrindo fogo contra os ministros da Corte, firmando-se como o presidenciável anti-sistema.

Zema foi eleito governador com 72% dos votos no segundo turno de 2018 e saiu do governo em 2026, segundo a Quaest, com aprovação de 55% e desaprovação de 35%, desempenho próximo ao que garantiu sua reeleição em primeiro turno em 2022. (As informações são de O Estado de S. Paulo)

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