Quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 11 de fevereiro de 2026
Em movimento de aproximação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de olho nas eleições, o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do Progressistas (PP), reduziu drasticamente as críticas públicas ao governo após ter feito mais de 90 postagens com ataques ao petista somente no ano passado. Outro sinal dessa reaproximação foi a reunião, em janeiro, entre Nogueira, o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, e o presidente do PT, Edinho Silva, para discutir cenários regionais e possíveis composições políticas para outubro.
O encontro ocorreu em meio a uma tentativa de aproximação de partidos do Centrão com o PT. Lula, por sua vez, busca ao menos a neutralidade desse grupo na disputa nacional, afastando-o do palanque de Flávio Bolsonaro (PL), apontado como principal pré-candidato da direita.
Levantamento identificou que, até novembro, Ciro Nogueira realizou ao menos 94 publicações com críticas diretas ou indiretas ao governo e ao PT. A última postagem com esse teor ocorreu em 18 de novembro, quando afirmou que “a conta do governo estava no vermelho”. A mudança de postura nas redes sociais integra um “pacto de não agressão” entre ele e Lula, segundo informou o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo.
Ao longo de 2025, o senador explorou temas sensíveis para o governo, como a crise dos descontos fraudulentos no INSS. Também criticou propostas de aumento de tributos, como a elevação do IOF, posteriormente derrubada pelo Congresso. Em abril, escreveu em uma rede social que “a esquerda está desesperada com o escândalo indefensável com o roubo dos aposentados” e provocou o PT ao defender a instalação de uma CPMI. Nogueira também questionou a reação do governo ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, afirmando que “soberania só vale quando interessa ao Lula”.
Busca por neutralidade
Apesar de ter interrompido as críticas recentes, o senador mantém fixado em seu perfil um vídeo no qual acusa o governo de ter acionado um “gabinete de ódio” contra ele, após investigações da Polícia Federal sobre um suposto esquema de fraude fiscal e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis envolvendo integrantes do PCC. No mesmo período, a PF avançou sobre o caso do Banco Master, instituição ligada ao empresário Daniel Vorcaro, com quem Nogueira mantém relação de amizade.
União Brasil e PP, que somam 108 deputados e 13 senadores, articulam a formação de uma federação partidária, ainda pendente de formalização pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O grupo tem sido alvo de investidas tanto de aliados de Lula quanto de Flávio Bolsonaro.
A tendência é que a federação adote postura de neutralidade na disputa presidencial, liberando os filiados para alianças regionais. Ainda assim, os dois campos políticos buscam atrair setores das legendas para fortalecer seus projetos eleitorais.
Segundo interlocutores, a reunião entre Nogueira, Rueda e Edinho concentrou-se em estados onde o PT tem maior força política, como Pernambuco, Ceará e Maranhão, considerados estratégicos no Nordeste — região historicamente favorável à esquerda. Procurados, os dirigentes não se manifestaram.
A aproximação de Nogueira com o PT é acompanhada com cautela, já que o senador foi ministro-chefe da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro e é um dos principais articuladores da centro-direita no Congresso. Aliados minimizam o encontro com Edinho, afirmando que ambos mantêm relação pessoal antiga e diálogo frequente.
De acordo com lideranças da possível federação, a estratégia é adiar ao máximo uma definição nacional, aguardando maior clareza do cenário político até as convenções partidárias, quando as siglas oficializam suas alianças para as eleições.
(Com O Globo)