Domingo, 25 de janeiro de 2026

Investida de Trump pela Groenlândia irritou até seus aliados da extrema direita na Europa

Que líderes europeus criticaram em peso as aspirações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de tomar a Groenlândia, não há dúvidas. Mas a investida sem precedentes de Trump para ter o controle da ilha também chocou fortes aliados do presidente norte-americano dentro da Europa.

Ao longo da semana, nomes da extrema direita europeia se uniram aos governantes de seus países – em maioria, seus rivais políticos – para condenar as ameaças feitas por Trump.

Alice Weidel, co-líder da AfD, a sigla da extrema direita da Alemanha, acusou Trump de “violar” uma promessa de campanha e um dos princípios básicos da direita liberal europeia, a da não-interferência em assuntos de outros países.

“Ele violou uma promessa eleitoral fundamental, ou seja, a de não interferir em outros países, e precisa explicar isso aos seus próprios eleitores”, disse Weidel.

Tino Chrupalla, outro co-líder da sigla, também condenou o que chamou de “táticas de Velho Oeste” e de “política imperial”.

Recentemente elogiada por Trump, a primeira-ministra Giorgia Meloni chamou de “erro” o tarifaço que o presidente dos EUA ameaçou impor aos europeus.

Meloni também alertou seu aliado norte-americano sobre os riscos de sua postura para a Otan. “A previsão de um aumento de tarifas contra os países que escolheram contribuir para a segurança da Groenlândia é um erro, e eu não concordo com isso”, afirmou.

O francês Jordan Bardella, líder do Reunião Nacional e herdeiro político de Marine Le Pen, pediu que a Europa reagisse e não fosse “submissa” aos Estados Unidos, durante discurso no Parlamento francês.

“Quando um presidente dos EUA ameaça um território europeu usando pressão comercial, isso não é diálogo – é coerção. E nossa credibilidade está em jogo”, discursou. “A escolha é simples: submissão ou soberania”.

Em uma entrevista a um programa na TV local, Bardella se disse “inquieto com as ameaças de Donald Trump à soberania dos Estados europeus”.

O britânico Nigel Farage, líder da extrema direita e considerado o “pai do Brexit” por liderar o movimento que pedia a saída do Reino Unido da União Europeia, também criticou as tarifas que Trump ameaçou aplicar à Europa. Atual deputado e aliado antigo de Trump, ele afirmou que “ameaçar os aliados mais próximos não é o caminho certo”. E disse que “bons amigos também entram em desacordo”.

“Eu entendo as preocupações do presidente Donald Trump sobre a Groenlândia, mas ameaçar seus aliados mais próximos não é o caminho certo a se seguir”, disse o britânico em entrevista. No Fórum Econômico Mundial, em Davos, Farage disse que a postura de Trump não estava de acordo com sua crença na “autodeterminação nacional”.

O Partido Popular da Dinamarca, que já se declarou alinhado aos valores do MAGA (Faça a América Grande Novamente, o lema do governo Trump), disse que a postura de Trump vai contra o princípio da soberania nacional.

“Me retratar como alguém que serve a uma causa que não seja a Dinamarca, e que simpatizaria com ameaças ao nosso reino, é prejudicial”, escreveu o líder da sigla, Morten Messerschmidt.

Mas o que explica a reação? Políticos até então alinhados com Trump identificaram na ofensiva do republicano uma postura intervencionista que ameaça os interesses nacionais da Europa e fere a ideologia nacionalista – uma das marcas da ultradireita do continente. (As informações são do g1)

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